A vereadora de Curitiba Tathiana Guzella foi denunciada por xenofobia depois de proferir ofensas contra a colega Vanda de Assis no plenário da Câmara Municipal. O Ministério Público formalizou a acusação, na qual também pede indenização por danos morais individuais e coletivos. O episódio, que começou com uma divergência em torno da tribuna, agora se desdobra nas esferas criminal e administrativa.
O dia em que a tribuna virou palco de ofensa
De acordo com o relato que sustenta a denúncia, Vanda utilizou a tribuna do plenário para discursar sobre um projeto. Logo depois, Guzella pediu espaço para se manifestar. Foi quando a vereadora perguntou a Vanda se ela era de Campos Sales, no Ceará, e ouviu a confirmação. Em seguida, Guzella disse a Vanda para voltar para o Ceará, questionou o motivo de ela ter vindo para cá e afirmou que a colega nasceu lá, “mas veio encher o saco aqui”.
A fala, proferida no ambiente solene do plenário, escapou ao debate de ideias e atingiu a origem de uma parlamentar. Para Vanda, o tom da frase configurou desrespeito à sua história e à população de seu estado natal. O episódio foi relatado como um ataque direto, e não como uma simples crítica política.
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Xenofobia é crime, lembra vítima
Ao reagir, Vanda classificou a fala como xenofóbica e fez questão de lembrar que a prática é crime. Ela também afirmou que o caso não poderia ficar sem registro oficial. Ao término da sessão, ligou para a Polícia Militar para comunicar o ocorrido. Segundo seu relato, nenhuma viatura ou equipe da PM se deslocou até a Câmara para atender a ocorrência.
O g1 questionou a Polícia Militar do Paraná sobre a razão do não comparecimento, mas a instituição não respondeu e não explicou a ausência de retorno. Essa lacuna na apuração inicial não impediu que o caso seguisse para o Ministério Público, onde ganhou contornos mais amplos.
MP vê intenção de ofender e humilhar
O Ministério Público analisou as declarações e concluiu que elas tiveram a intenção de ofender, humilhar e menosprezar a vítima e a população cearense. Essa avaliação foi a base para a denúncia, que inclui também o pedido de reparação financeira. Conforme consta na denúncia, os valores pedidos são:
- Danos morais individuais: 20 salários mínimos, cerca de R$ 32.420, para a vítima;
- Danos morais coletivos: 40 salários mínimos, aproximadamente R$ 64.840, destinados ao FUNDEPPIR.
A promotoria sustentou ainda que não cabem medidas como Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) ou suspensão condicional do processo. Essa posição afasta a possibilidade de uma solução consensual e indica que o caso deve tramitar pelo rito penal comum.
Judiciário decide sobre aceitação da denúncia
A denúncia, agora formalizada, representa a versão oficial da acusação. Cabe ao Judiciário decidir se ela será aceita. Se for, Guzella se tornará ré em uma ação penal por xenofobia e terá de se defender em juízo. Até o momento, a data exata da denúncia não foi detalhada pela fonte, e o projeto mencionado na tribuna também não foi identificado nas informações disponíveis.
Esses dados podem surgir ao longo da instrução processual, caso o caso seja aceito. Enquanto isso, o processo permanece em fase de análise, e a palavra final sobre o mérito caberá ao Judiciário.
Câmara recebe representações contra as duas vereadoras
Na Câmara Municipal de Curitiba, o caso também gerou movimentação administrativa. A Casa informou que recebeu ao menos cinco representações relacionadas ao episódio:
- Quatro contra Guzella;
- Uma contra Vanda.
O teor dessas representações não foi detalhado pela fonte, tampouco se já foram encaminhadas para análise. Os nomes dos autores também não foram divulgados até o momento.
Representações desse tipo podem dar origem a procedimentos administrativos e éticos na Câmara. Isso significa que a situação pode ter desdobramentos também no campo disciplinar, mas a instituição não detalhou os próximos passos.
Guzella diz ter recebido denúncia com surpresa
Em nota, Tathiana Guzella afirmou que recebeu a denúncia com surpresa, mas com serenidade. A manifestação não entrou em detalhes sobre eventuais medidas que serão adotadas no processo. A vereadora também não apresentou, na nota, uma versão própria dos fatos. Vanda, por sua vez, sustentou a classificação de xenofobia e reforçou que o ocorrido não pode ser tratado como uma simples discussão.
O caso segue agora para as próximas etapas no Judiciário e na Câmara.