O Nordeste brasileiro vive uma expansão significativa na produção de vinhos, com experiências iniciadas nos anos 1970 no Vale do São Francisco. Agora, novos terroirs emergem no Planalto da Borborema, que abrange Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. A região, com altitudes entre 500 e 1,2 mil metros, oferece condições únicas para a viticultura.

Vale das Colinas: pioneirismo em Garanhuns

Garanhuns, a 900 metros acima do nível do mar, abriga a primeira vinícola da cidade, a Vale das Colinas. Fundada em 2017, a propriedade tem 15 hectares de uvas, 38 funcionários e produziu 29 mil garrafas em 2025, além de receber 26 mil turistas. Os proprietários Michel Moreira Leite e Micheline Cavalcante Silva comandam o empreendimento, que já colheu prêmios importantes.

O tinto Dona Elisa Gran Reserva 2024 e o branco Dona Cecília 2024 receberam medalha de ouro na Grande Prova de Vinhos do Brasil 2026. A colheita ocorre no verão, com pouca chuva e boa amplitude térmica, fatores que contribuem para a qualidade das uvas.

Novas fronteiras na Paraíba e Rio Grande do Norte

Paraíba: Casa Ferreira em Bananeiras

Bananeiras, na Paraíba, é outra microrregião que começa a chamar a atenção. Telson Ferreira decidiu criar a vinícola Casa Ferreira em 2023. Em 2024, ele plantou as primeiras videiras e, no final de 2025 e início de 2026, colheu sua primeira safra. A iniciativa mostra o potencial do estado para a viticultura.

Rio Grande do Norte: Casa das 7 Evas em São José do Mipibu

No Rio Grande do Norte, a vinícola Casa das 7 Evas está em funcionamento em São José do Mipibu, município a 30 quilômetros de Natal e a 47 da praia da Pipa. A região também se beneficia das condições do Planalto da Borborema.

Diversidade e potencial do terroir nordestino

O agrônomo Walter Leal, da Vitti Consultoria em Viticultura, afirmou ao NeoFeed: ‘Há uma enorme diversidade.’ A afirmação reflete os estudos iniciados em 2012 pela Embrapa para descobrir novos terroirs no Nordeste. O Planalto da Borborema, com suas altitudes variadas, oferece microclimas que favorecem diferentes variedades de uvas.

A expansão da viticultura no Nordeste demonstra que a região vai além do Vale do São Francisco. Com vinícolas premiadas e novas plantações, o terroir nordestino começa a ganhar espaço no mapa vitivinícola brasileiro.

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