O Japão, conhecido por sua precisão e inovação, agora aplica esses princípios à viticultura. A produção de vinhos japoneses raros, que totaliza apenas 3,3 milhões de litros por ano — 20% da produção total do país, segundo a National Tax Agency —, é marcada por um ‘terroir tech’ que alia tradição e tecnologia de ponta.
Produção enxuta e qualidade extrema
A filosofia do Sistema Toyota, que busca desperdício zero, foi adotada por produtores como a Mercian Corporation, uma das primeiras a implementá-la em suas vinícolas. Esse método, combinado com o manejo criterioso do dossel de folhas para favorecer a circulação de ar sob as parreiras, resulta em uvas de alta qualidade. Na adega, os tanques de aço inoxidável são limpos com gás nitrogênio sob pressão para expulsar o oxigênio, evitando oxidações indesejadas. Esses cuidados são essenciais, já que a uva nativa Koshu possui uma enzima mais ativa que a de outras castas, acelerando sua oxidação.
Técnicas ancestrais e inovação
Kasagake: proteção artesanal dos cachos
Um dos métodos tradicionais é o Kasagake, a aplicação manual de um pequeno chapéu de papel encerado grampeado sobre cada cacho, protegendo as uvas da chuva e do sol intenso.
Umami em vinhos jovens: o estágio sur lie estendido
Paralelamente, os japoneses desenvolveram técnicas para obter o umami em vinhos jovens, como a extensão do estágio sur lie. A vinícola Mercian revolucionou o setor em 1983 ao estender esse estágio para induzir precocemente a autólise, processo que libera compostos de sabor. Essas inovações renderam reconhecimento internacional: em 2024, o Suntory From Farm Tomi Koshu 2022 foi o primeiro vinho japonês a receber o prêmio ‘Best in Show’ no concurso Decanter World Wine Awards. A Grace Wine também levou o ouro com sua Cuvée Misawa Akeno Koshu 2013.
Escassez e alta demanda
A produção limitada e a qualidade excepcional geram alta demanda e preços elevados. Produtores independentes, como o Domaine Takahiko, têm seus vinhos disputados no mercado secundário. Rótulos como o Suntory From Farm Tomi Koshu são vendidos apenas em butiques seletas, como a Hedonism Wines, em Londres, onde o Chateau Mercian Iwasaki Koshu custa pelo menos £ 25. Na loja Dekantā, o Suntory Tomi No Oka White Wine 2017 era vendido por cerca de US$ 170. No restaurante The Fat Duck, do chef Heston Blumenthal, o Pinot Noir Nana-Tsu-Mori 2022 é oferecido por £ 460.
Presença internacional e novos players
O interesse global pelos vinhos japoneses atrai investidores estrangeiros. A francesa Domaine de Montille foi a primeira vinícola estrangeira a estabelecer uma operação no Japão. No Brasil, o sommelier-chefe Pedro Valente, do restaurante Satori Omakase, recém-inaugurado em São Paulo, acompanha de perto essa tendência. A matéria foi gerada por inteligência artificial e revisada pelos jornalistas do NeoFeed.
