Taxas de DIs sem direção única com IPCA e acordo EUA-Irã
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A curva de juros futuros encerrou o pregão desta sexta-feira (12) sem direção única. O movimento refletiu a combinação de dados de inflação acima do esperado no Brasil e a expectativa de um acordo entre Estados Unidos e Irã, que aliviou as tensões geopolíticas. As taxas de Depósitos Interfinanceiros (DIs) apresentaram comportamentos distintos ao longo dos diferentes vértices.

IPCA acima do esperado pressiona curva curta

A taxa de DI para janeiro de 2027 subiu 5 pontos-base e fechou a 14,360% ante 14,310% do fechamento anterior. Esse movimento reflete a precificação de juros altos na cauda mais curta da curva, após novos dados de inflação. O IPCA subiu 0,58% em maio, uma desaceleração frente ao avanço de 0,67% no mês passado. No acumulado dos 12 meses, a inflação subiu 4,72%.

Para Leonardo Costa, economista do ASA, a principal surpresa em relação às projeções da casa veio dos preços administrados. O dado veio acima do esperado pelo mercado, o que reforçou a expectativa de que o Banco Central mantenha a taxa Selic elevada por mais tempo. Como resultado, os contratos de curto prazo foram pressionados para cima.

Alívio geopolítico derruba taxas longas

Os vencimentos de médio e longo prazos acompanharam o alívio nas tensões geopolíticas e a expectativa de assinatura de acordo entre Estados Unidos e Irã no próximo domingo (14). Ontem (11), o presidente norte-americano Donald Trump cancelou ataques planejados contra o Irã. Os dois países ainda não chegaram a um acordo, mas estão muito perto de uma solução para o conflito, segundo fontes à agência de notícias Reuters. A expectativa é de que Washington e Teerã assinem um acordo inicial de cessar-fogo nos próximos dias.

Com isso, a taxa de DI para janeiro de 2029 encerrou as negociações em 14,455% ante 14,505% do fechamento anterior, recuo de 5 pontos-base. Já a DI para janeiro de 2036 caiu 14 pontos-base e terminou o dia a 14,195% ante 14,335% do fechamento da última quinta-feira (11). A queda nos vértices longos reflete a redução do prêmio de risco geopolítico.

Treasuries sobem nos EUA

No mercado de títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries fecharam em alta. O yield do Treasury de dois anos terminou a 4,087% ante 4,070% do ajuste anterior. O retorno do título de dez anos caiu para 4,483%, de 4,465% de ontem. O movimento nos Treasuries também contribuiu para a dinâmica dos juros futuros domésticos, especialmente nos vértices mais longos.

O cenário segue indefinido, com agentes financeiros monitorando tanto os indicadores de inflação quanto os desdobramentos geopolíticos. A curva de juros deve continuar sensível a novos dados econômicos e notícias sobre o conflito no Oriente Médio.

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