Investigações dos EUA contra o Brasil
O Escritório do Representante de Comércio Americano (USTR) abriu investigações contra 86 países, incluindo o Brasil. O movimento pode resultar em tarifas adicionais sobre produtos brasileiros.
Para o ex-presidente do Banco dos Brics, Marcos Troyjo, o governo brasileiro não atuou como protagonista e desperdiçou tempo. Enquanto isso, empresas e associações empresariais tomaram a dianteira nas negociações.
Duas frentes de investigação
Há duas investigações em curso:
- Seção 301: a Casa Branca propõe tarifa adicional de 25% por práticas anticoncorrenciais.
- Trabalho forçado: outro relatório indica cobrança adicional de 12,5% sobre supostas práticas de trabalho forçado.
Se efetivada, a cobrança deve incidir sobre 25% do valor exportado aos Estados Unidos, devido à lista de exceções.
Empresas brasileiras agem, governo fica para trás
Na visão de Troyjo, os esforços mais meritórios partiram de empresas brasileiras e associações, que contaram com auxílio de escritórios de representação política nos EUA. Exemplos citados: Weg, Embraer, Minerva e Gerdau. “Muitas delas fizeram muito mais do que o governo brasileiro”, afirma. O Brasil deveria ter feito muito mais nesse um ano, segundo o ex-presidente do Banco dos Brics.
Críticas ao governo Lula
Para Troyjo, Lula usa o episódio como palanque político para obter benefício na disputa eleitoral de outubro. “Ele adota um tom mais orientado para manter uma tensão no ar, para extrair benefícios políticos da situação.”
Troyjo defende a visão do senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL), que, em audiência pública nos EUA na semana passada, pediu que Trump adiasse o início das cobranças para depois das eleições. “A questão é que o Brasil ganharia algo fundamental, que é tempo.”
Desperdício de tempo e necessidade de ação política
“O Brasil desperdiçou tempo”, afirma Troyjo. Como a questão técnica, por parte dos EUA, já foi concluída, o esforço possível seria na instância política. “Não vejo isso vindo do governo brasileiro”, complementa.
Muitas companhias brasileiras estão se movendo para os EUA ou para outros países, como Paraguai e México. A fonte não detalhou quais seriam os próximos passos do governo brasileiro para reverter o cenário.
