SpaceX perto de virar operadora móvel nos EUA
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A SpaceX está perto de arrematar uma faixa crucial de frequências (espectro) necessária para transformar a empresa de foguetes, satélites e inteligência artificial de Elon Musk em uma grande operadora de telefonia móvel. O movimento prepara o terreno para um embate direto com gigantes do setor, como T-Mobile, Verizon e AT&T. Assim que receber o sinal verde da Comissão Federal de Comunicações (FCC, a Anatel americana), a empresa combinará seus serviços de satélite para celular com uma rede terrestre capaz de conectar aparelhos em qualquer lugar.

As ações das principais empresas de telecomunicações despencaram após o anúncio da SpaceX. No pregão desta sexta-feira em Nova York, AT&T e Verizon chegaram a tombar cerca de 11%, enquanto a T-Mobile recuou 12%. Já os papéis da SpaceX operavam com alta de 1%. A reação do mercado reflete o potencial disruptivo da iniciativa.

Desafios monumentais para competir nacionalmente

Contudo, construir um serviço em escala nacional que bata de frente com as maiores operadoras exigirá um esforço monumental. Isso inclui lançar mais satélites, avançar no desenvolvimento do megafoguete Starship e construir uma robusta infraestrutura em solo para complementar o serviço espacial. Trata-se de um processo que pode levar anos e demandar investimentos vultosos por parte da companhia. A SpaceX precisará superar barreiras técnicas e regulatórias significativas para concretizar sua ambição.

Espectro de banda baixa: peça-chave

Em uma publicação no X (antigo Twitter) na quinta-feira, Musk afirmou que o espectro de banda baixa é “a última peça crítica do quebra-cabeça de frequências necessária para a SpaceX fornecer cobertura telefônica total nos Estados Unidos”. A divisão de internet via satélite da SpaceX já transmite dados diretamente para celulares, fornecendo cobertura em “áreas de sombra” (sem sinal) das atuais redes terrestres. Hoje, a companhia não possui infraestrutura própria em solo para operar em conjunto com sua rede espacial. Essa lacuna é um dos principais obstáculos a serem vencidos.

Necessidade de torres e parcerias estratégicas

Em nota a clientes na sexta-feira (9), os analistas do Morgan Stanley Sean Diffley e William Tackett pontuaram que a SpaceX provavelmente precisará de torres de transmissão para erguer uma rede terrestre competitiva. A construção e operação de redes em âmbito nacional exigem bilhões de dólares em infraestrutura física, além das raras frequências de rádio regulamentadas pelo governo. Para encurtar esse caminho, a SpaceX poderia fechar uma parceria com alguma grande operadora atual e utilizar sua infraestrutura terrestre.

No ano passado, Musk disse que não descartava a aquisição integral de uma companhia de telecomunicações para alavancar os esforços da Starlink Mobile.

Pressão sobre as teles e jogada estratégica

A transação também pode ser lida como uma jogada estratégica para pressionar as teles a se unirem à SpaceX, à medida que a empresa se consolida como uma rival direta, segundo os analistas da Piper Sandler, Alexander Potter e Ben Johnson. O veículo também está encarregado de colocar em órbita os satélites Starlink muito maiores, desenvolvidos especificamente para a conexão com smartphones.

Ao anunciar a aquisição, a SpaceX fez questão de ressaltar que a FCC havia dado recentemente a autorização para o lançamento de 15.000 de seus satélites móveis Starlink de próxima geração. A empresa declarou que seus novos e maiores satélites estarão prontos para serem lançados no Starship no ano que vem e vão “entregar uma capacidade de banda mais de 100 vezes maior que a nossa geração atual”.

Histórico da negociação e valor estimado

A Bloomberg News noticiou em primeira mão, em agosto, que a SpaceX estava entre as empresas interessadas em arrematar as frequências da Grain. Na época, Musk pareceu rechaçar a ideia, respondendo com um “não é verdade” na plataforma X a um usuário que mencionava a reportagem. O valor do negócio não foi divulgado publicamente nem pela SpaceX, nem pela Grain.

No entanto, Diffley e Tackett, do Morgan Stanley, afirmaram que não se surpreenderiam se a transação tivesse girado entre US$ 6 bilhões e US$ 8 bilhões, considerando o valor estratégico do espectro.

Licenças abrangentes e coexistência de frequências

As licenças abrangem praticamente toda a população americana e são consideradas valiosas para ajudar provedores de satélite a estabelecerem um elo terrestre para serviços de voz. A Grain tem se mostrado confiante de que os serviços terrestres e espaciais podem coexistir na faixa de 800 MHz, mesmo que historicamente ela tenha sido usada apenas para a telefonia móvel tradicional em solo, disse à Bloomberg uma fonte a par do raciocínio da empresa em agosto. Essa confiança é essencial para a viabilidade do projeto.

Planos da SpaceX como operadora

Durante a primeira divulgação de resultados trimestrais da SpaceX em agosto, a presidente Gwynne Shotwell detalhou os planos da companhia de se tornar uma operadora de telefonia celular, afirmando que a empresa definitivamente pretende “desenvolver o componente terrestre”. A declaração reforça o compromisso da SpaceX em integrar suas capacidades espaciais com uma infraestrutura terrestre robusta. Com isso, a empresa busca oferecer um serviço contínuo e abrangente, desafiando o domínio das operadoras tradicionais.

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