O que Warren Buffett assiste no YouTube à noite
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O que faz Warren Buffett, um dos investidores mais respeitados do planeta, quando a noite cai e os mercados fecham? A resposta pode surpreender: ele assiste a vídeos no YouTube. A informação vem de pessoas próximas ao bilionário, que descrevem sessões regulares de entretenimento digital com um repertório que vai do nostálgico ao inusitado.

Buffett, conhecido por sua disciplina e foco em valor, revela um lado mais descontraído nessas horas. A fonte das revelações é Sharon Osberg, amiga próxima e companhia frequente nessas sessões, que detalhou os hábitos em entrevista.

Repertório amplo e eclético

Segundo Osberg, o repertório de Buffett é notavelmente diversificado. “O repertório de Warren é amplo”, diz ela. “Pode ser das coisas mais bobas.” Essa amplitude inclui desde clipes de Glenn Close e comerciais dos anos 1950 até vídeos de Paul Anka. O famoso investidor, ao que tudo indica, não se cansa dessas atrações.

Osberg também menciona sessões de documentários. “Nós assistimos a um documentário muito bom sobre Roy Cohn”, conta ela. E, em um toque de excentricidade, “à versão do Uzbequistão do America’s Got Talent”. Trata-se do O’zbekiston Got Talent. Não está claro se Buffett é um dos 34.500 inscritos no canal, mas a menção sugere um interesse genuíno por formatos globais de talento.

Essa variedade reflete uma mente curiosa, mas também uma busca por leveza após dias intensos de análise e decisões financeiras. A transição para o entretenimento digital, porém, não foi imediata.

Adoção tardia da tecnologia

Durante boa parte da vida, Buffett demorou a aderir à tecnologia. Levou anos para comprar um iPhone e ainda hoje deixa que outras pessoas enviem e recebam seus e-mails. Essa resistência inicial torna seu atual hábito de assistir a vídeos no YouTube ainda mais notável.

A mudança pode ser atribuída à praticidade e à riqueza de conteúdo disponível, que se alinha a paixões antigas. Muitas vezes, os vídeos têm relação com interesses que Buffett cultiva há décadas: musicais, ferrovias, a era das big bands, Nebraska e as primeiras apresentações de Frank Sinatra, nos anos 1930.

Essa conexão com o passado não é acidental. Buffett sempre demonstrou apreço por suas raízes em Omaha e por ícones culturais de sua juventude. O YouTube, nesse sentido, funciona como uma máquina do tempo acessível.

Além do YouTube: filmes clássicos

Buffett também gosta de outros tipos de entretenimento, especialmente do canal Turner Classic Movies. Às vezes, o canal exibe “12 Homens e uma Sentença”, um dos filmes favoritos de Buffett, estrelado por Henry Fonda, que também nasceu em Omaha. A coincidência geográfica adiciona uma camada de significado pessoal à escolha.

O hábito de assistir a filmes e vídeos à noite parece ser uma forma de relaxamento e conexão com memórias afetivas. Não se trata apenas de passar o tempo, mas de revisitar narrativas que moldaram sua visão de mundo.

Essa prática também revela um lado social. As sessões são frequentemente compartilhadas com amigos, como Osberg, que testemunha as reações do investidor.

Risadas de corpo inteiro

O impacto emocional dessas sessões é evidente. “Ele realmente me faz rir”, disse Murray à CNBC no início deste ano. “Aquelas risadas de verdade, de corpo inteiro.” A citação, embora atribuída a Murray, sugere que a companhia de Buffett e o conteúdo assistido geram momentos de genuína alegria.

Essas risadas contrastam com a imagem pública de um homem sério e calculista. Elas humanizam o investidor e mostram que, mesmo aos 90 anos, ele encontra prazer em coisas simples e compartilhadas.

Mas Buffett não é o único investidor lendário conhecido por relaxar no fim do dia com distrações inesperadas.

Charlie Munger e sua rotina

Seu antigo sócio e amigo, o falecido Charlie Munger, tinha o hábito de terminar o dia assistindo a um episódio de “Seinfeld” acompanhado de um bom livro. “Eu gosto mesmo é de um bando de pessoas egocêntricas tomando decisões erradas”, disse Munger certa vez sobre a série. “Não é realmente sobre nada.”

A preferência de Munger por “Seinfeld” reflete um humor seco e uma apreciação pela comédia de erros humanos. A combinação com leitura sugere um ritual de descompressão intelectual.

Osberg, que também conviveu com Munger, observa a dinâmica entre os dois amigos. “Você sente o vínculo entre os dois enquanto ele assiste ao Charlie”, diz Osberg. “É realmente algo especial.” A frase indica que, mesmo nas horas de lazer, a parceria e o respeito mútuo permaneciam.

Lições de uma rotina noturna

Os hábitos noturnos de Buffett e Munger oferecem um vislumbre raro da vida pessoal de dois titãs das finanças. Eles mostram que, por trás das decisões bilionárias, existem pessoas que buscam conforto em entretenimento simples e em conexões humanas.

Para Buffett, o YouTube se tornou uma janela para o passado e para o mundo, sem sair de casa. Para Munger, era a combinação de humor e literatura. Ambos, à sua maneira, encontravam equilíbrio.

A fonte não detalhou a frequência exata dessas sessões nem se Buffett assiste sozinho ou sempre acompanhado. No entanto, os relatos de Osberg e Murray pintam um quadro consistente de um homem que valoriza o riso e a nostalgia.

Em um mundo obcecado por produtividade, a rotina noturna de Buffett serve como lembrete de que até os mais bem-sucedidos precisam de pausas. E, às vezes, a pausa vem na forma de um talent show uzbeque ou de um comercial dos anos 1950.

Escreva para Gregory Zuckerman em Gregory.Zuckerman@wsj.com.

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