A SpaceX entrou para a história com um IPO de US$ 75 bilhões, mas agora enfrenta seu primeiro teste em Wall Street. A empresa, formalmente conhecida como Space Exploration Technologies Corp., estreia na Nasdaq e na Nasdaq Texas sob o código SPCX. A operação foi liderada por Goldman Sachs, Morgan Stanley, Bank of America, Citigroup e JPMorgan Chase, com a participação de outros 18 bancos.
Recorde histórico e desafios imediatos
O IPO da SpaceX é o maior da história, superando marcas anteriores. No entanto, a presidente da SpaceX, Gwynne Shotwell, afirmou à CNBC que “escalar é muito caro”. A declaração ressalta os custos elevados para expandir as operações da empresa, que incluem foguetes reutilizáveis e a rede de satélites Starlink.
Wall Street já atribui preços-alvo de até US$ 190 para as ações da SpaceX. Mas analistas alertam para a volatilidade. Jeremiah Buckley disse que “a parte complicada é entender como o mercado vai absorver o aumento do free float ao longo do tempo”. A fonte não detalhou o volume exato de ações em circulação.
Comparações com IPOs anteriores
Para Nirgunan Tiruchelvam, o IPO tem um significado simbólico semelhante ao da abertura de capital da Alibaba Group em 2014. Tiruchelvam afirmou que “o IPO da SpaceX é um termômetro do estado do mercado”. Ele acrescentou que a SpaceX representa “o boom tecnológico impulsionado pela inteligência artificial e a ascensão da tecnologia espacial como uma das forças definidoras do nosso tempo”.
John Waldron afirmou à Bloomberg Television que “isso antecipa uma onda bastante significativa de IPOs”. A declaração sugere que o sucesso da SpaceX pode abrir caminho para outras empresas de tecnologia.
Desempenho das ações e riscos
O recorde de maior valorização no primeiro dia entre IPOs americanos que captaram ao menos US$ 1 bilhão pertence à Figma, que subiu 250% em sua estreia em 2025. No entanto, a Figma atualmente negocia cerca de 41% abaixo do preço do IPO. O exemplo serve de alerta para investidores da SpaceX.
A fortuna de Musk era estimada em cerca de US$ 970 bilhões na quinta-feira, segundo o Bloomberg Billionaires Index. O valor reflete a participação do CEO na SpaceX e na Tesla, mas não há garantias de que o IPO manterá a trajetória de alta.
Possível fusão com Tesla divide opiniões
Gwynne Shotwell afirmou à CNBC que “não há dúvida de que existem sinergias entre Tesla e SpaceX para o nosso futuro”. No entanto, ela disse que, neste momento, “está focada em manter as luzes acesas por aqui”. A declaração indica prioridades imediatas antes de qualquer fusão.
Segundo o analista da Bloomberg Intelligence Steve Man, uma fusão entre Tesla e SpaceX parece distante no médio prazo. Steve Man afirmou que “os benefícios do projeto de chips Terafab, do desenvolvimento de software Macrohard e de qualquer papel da Tesla na exploração espacial ainda estão a anos de distância”.
Analistas da Morningstar afirmaram que, caso as ações da SpaceX recuem nas próximas semanas, isso poderia tornar uma fusão mais aceitável para os acionistas da Tesla. Eles escreveram que, “com a avaliação da SpaceX disparando antes do IPO, duvidam que os acionistas da Tesla quisessem comprar a SpaceX enquanto seus múltiplos de valuation forem muito superiores aos deles”. Além disso, os analistas da Morningstar escreveram que “os novos investidores da SpaceX provavelmente não aceitariam um desconto tão grande em relação ao preço do IPO, a menos que as ações recuassem para perto de sua estimativa de valor justo de US$ 63 por ação”.
O cenário mostra que o futuro da SpaceX em Wall Street dependerá da capacidade de entregar resultados e gerenciar expectativas. O mercado observa atentamente os próximos passos da empresa.
