Sandra Gamarra exposição Masp: cópia como crítica
Crédito: neofeed.com.br
Crédito: <a href="https://neofeed.com.br/finde/a-artista-que-faz-da-copia-sua-principal-ferramenta-critica/" rel="nofollow noopener noreferrer" target="_blank">neofeed.com.br</a>

A artista peruana Sandra Gamarra Heshiki apresenta no Museu de Arte de São Paulo (Masp) a exposição “Réplica”, que usa a cópia como ferramenta central de crítica à representação histórica e à descolonização dos museus. A mostra integra a programação de 2026, dedicada às histórias latino-americanas.

Pintura que revela ausências

À primeira vista, a pintura de Sandra Gamarra Heshiki exposta no Masp parece uma paisagem clássica: céu azul, palmeiras que enquadram a cena e pequenas figuras humanas caminhando. Mas no centro, a imagem se rompe e surge um retângulo que revela o espaço expositivo do museu.

Ao reinterpretar uma obra de Frans Post, a artista destaca a presença de uma urna funerária marajoara, evidenciando culturas ausentes nas narrativas europeias. Esse rasgo na pintura de Post torna visível uma urna em cerâmica marajoara, datada entre 400 e 1400, que pertence à coleção do Masp.

LiMac: instituição fictícia como crítica

Gamarra cresceu no Peru sob uma ditadura militar e uma economia fechada, cercada por cópias de produtos importados. Sem acesso a obras originais de artistas centrais da tradição europeia, sua formação se deu por meio de reproduções.

Assim nasceu o LiMac, uma instituição fictícia que questiona a classificação das coleções em museus europeus. O LiMac tomou forma por meio de cópias realizadas pela própria artista e de um acervo organizado em um site.

Mostra com cópias e ambiente corporativo

A exposição inclui cópias de obras consagradas e uma pintura que retrata um ambiente corporativo, simbolizando sua prática de apropriação. No espaço do LiMac, há paredes, uma porta com abertura por sensor e até uma pequena loja que replica o comércio dos camelôs, com mercadorias dispostas sobre lonas plásticas prontas para serem recolhidas rapidamente.

No interior, aparecem cópias de obras de artistas consagrados que não circulavam no Peru, além de uma pintura de grandes dimensões que retrata um ambiente corporativo repleto de fotocopiadoras, criada a partir de uma fotografia do artista alemão Thomas Demand.

Virtuosismo que engana o olhar

O trabalho de Sandra impressiona pelo virtuosismo da pintura. Logo na entrada, uma vitrine com imagens de vasos dos Andes e da Amazônia — hoje em coleções na Espanha — pode enganar um olhar desatento. O que parecem ser objetos tridimensionais são, na verdade, tinta sobre placas de acrílico.

Sua exposição “Réplica” reflete sobre a descolonização dos museus e a crítica à matriz colonial.

Fonte

By

0 0 votos
Classificação
guest

Resolva a soma:
6 + 1 =


0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários