A rede varejista de brinquedos Ri Happy protocolou, no domingo, 18 de outubro, um pedido de recuperação extrajudicial no valor de R$ 827,4 milhões. O processo foi registrado no Tribunal de Justiça e confirmado pela companhia nesta segunda-feira, 19 de outubro. A medida abrange também outras empresas do grupo, em um movimento que ocorre menos de dois meses após a troca de controle da operação.
Pedido inclui seis empresas do grupo
Além da Ri Happy, o pedido engloba outras empresas do grupo: Brincar Marcas e Participações, Drh Casa de Festa, New Toys Comércio, Distribuição e Importação, Partout Administração de Franquias e Bens, e Pbkids Brinquedos. A inclusão dessas companhias indica que a reestruturação financeira abrange toda a estrutura societária da varejista. A fonte não detalhou o valor individual de cada dívida por empresa.
A recuperação extrajudicial é um instrumento previsto na legislação brasileira que permite à devedora negociar diretamente com credores, sem a necessidade de intervenção judicial constante. Diferentemente da recuperação judicial, o processo é mais célere e preserva a autonomia da gestão. No caso da Ri Happy, a empresa afirma que as lojas físicas e os canais digitais seguem funcionando normalmente, com foco na Black Friday e no Natal.
Mudança de controle e nova gestão
A iniciativa ocorre menos de dois meses após mudança de comando da operação. No dia 31 de agosto, a BluSun Capital anunciou a compra de 100% da empresa, após 14 anos sob controle dos fundos de private equity Carlyle e SPX Capital, que assumiu a gestão em 2021. O valor não foi revelado.
A troca de controle trouxe de volta à gestão Héctor Nuñez, que reassumiu o posto de CEO. O executivo cubano-americano, que liderou a Ri Happy entre 2012 e 2020, substituiu Thiago Rebello, CEO da companhia desde fevereiro de 2024. Além de Nuñez, a Ri Happy também revelou sua nova estrutura, que passou a contar com Carlos Fernandes como COO; Diego Motta como CFO; Sandra Haddad, na área comercial; Alexandra Carrão, responsável por gente e gestão; e Robledo Castro, nas áreas de tecnologia e transformação digital.
“Essas medidas visam organizar a renegociação de dívidas e adequar a estrutura financeira às necessidades operacionais, criando as condições para dar continuidade ao plano de transformação”, diz a empresa, em nota enviada ao NeoFeed. Ainda segundo o comando da Ri Happy, as lojas físicas e os canais digitais seguem funcionando normalmente, com foco na Black Friday e no Natal.
Contexto de dificuldades e setor
A Ri Happy já enfrentou dificuldades financeiras anteriormente, tendo renegociado R$ 289 milhões em dívidas em 2023. A companhia, que possui 290 lojas e fatura cerca de R$ 1,2 bilhão anualmente, não é a única do setor a buscar recuperação, seguindo o exemplo da fabricante Estrela. Em maio, a fabricante de brinquedos Estrela entrou com pedido de recuperação judicial à Justiça de Três Pontas, em Minas Gerais, a partir de dívida de R$ 109 milhões.
“Essas ações respondem aos desafios enfrentados pelo varejo brasileiro, como os juros elevados, as mudanças no consumo, a intensificação da concorrência e os efeitos acumulados da pandemia”, completa a nota da Ri Happy. A empresa não detalhou o cronograma de negociação com credores nem os termos propostos no plano de recuperação extrajudicial.
O pedido da Ri Happy ocorre em um momento de reconfiguração do varejo de brinquedos no Brasil, marcado pela concorrência de marketplaces e pela mudança nos hábitos de consumo. A recuperação extrajudicial permite que a companhia continue operando enquanto renegocia suas obrigações, evitando a paralisação das atividades. A fonte não detalhou se haverá fechamento de lojas ou demissões.
