BC adia rastreador de contas laranja no Pix para outubro
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O Banco Central adiou a entrada em vigor da funcionalidade do Pix capaz de rastrear dinheiro em contas laranja. A ferramenta, originalmente prevista para segunda-feira (10), foi prorrogada para 26 de outubro. A decisão faz parte de uma alteração regulatória que ajusta regras da norma 766 e atinge as estruturas do MED e do DICT.

O que é a profundidade no grafo?

A funcionalidade insere a chamada “profundidade no grafo” — também conhecida como busca em profundidade — no ambiente do Pix. Essa camada extra de dados foi planejada para dar às instituições a capacidade de saber em qual elo da cadeia o dinheiro da vítima está parado.

Quando estiver em operação, ela permitirá que bancos, fintechs e demais participantes identifiquem o ponto exato da rede em que o recurso se encontra.

Com a novidade, as notificações do MED informarão não apenas o trajeto do dinheiro, mas também o nível exato ocupado por cada movimentação na sequência de contas. Ou seja, além de ver o caminho percorrido, o sistema indicará a profundidade da transação dentro da teia de repasses.

Dessa forma, será possível:

  • Identificar a posição exata do dinheiro na cadeia;
  • Entender a estrutura da fraude;
  • Agir de forma direcionada.

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Limitações do sistema atual

Atualmente, o sistema do Banco Central já permite o rastreamento e o bloqueio de valores que ultrapassam a primeira conta receptora do golpe. No entanto, o gargalo do modelo está na falta de contexto sobre o posicionamento de cada transação dentro da teia de repasses efetuada pelos criminosos.

Embora seja possível seguir o dinheiro até contas secundárias, não há uma visão clara de em qual nível da cadeia cada operação ocorre. Essa lacuna dificulta a priorização de bloqueios e aumenta o tempo de resposta das instituições.

É justamente para resolver esse problema que a profundidade no grafo chega.

Benefícios para o combate a fraudes

Na prática do mercado bancário, a métrica de profundidade no grafo proporciona uma visão detalhada para as equipes de compliance e segurança da informação das instituições. Com os dados sobre a camada exata da movimentação, os analistas conseguem compreender melhor a estrutura do golpe.

Isso tende a:

  • Acelerar a tomada de decisão sobre quais contas devem ser congeladas;
  • Permitir que os bancos ajam com maior agilidade para congelar saldos em contas secundárias;
  • Acelerar a recuperação de valores.

A nova ferramenta, portanto, atua como um reforço no combate a fraudes envolvendo o Pix. O detalhamento das informações permite que a prioridade de bloqueio seja definida com mais precisão, reduzindo o tempo entre a identificação e a ação.

A implementação, porém, ocorre em etapas, conforme o novo calendário do Pix.

Novo calendário do Pix: duas datas em 2026

A reformulação do calendário do Pix estabelece duas datas decisivas para o setor financeiro nacional em 2026.

1º de setembro: ampliação do prazo de contestação no MED

Entra em vigor a janela ampliada de 80 dias para contestações de estorno no MED, contra golpes do tipo “falso estorno”. O prazo para contestação de pedidos de devolução passará de 30 para 80 dias nos casos em que o recebedor alegar ter sido vítima de contestação fraudulenta. Essa medida foi incluída para proteger vítimas de um golpe em que o criminoso contesta a devolução afirmando ter sido enganado.

26 de outubro: transmissão obrigatória da profundidade no grafo

Nesta data, começa a transmissão obrigatória do atributo de profundidade para rastrear valores roubados. O adiamento da funcionalidade de grafo altera o calendário operacional das instituições financeiras, mas a mudança no MED permanece confirmada para setembro.

Assim, o setor terá que se adaptar a duas frentes de mudança em um intervalo de pouco menos de dois meses. O adiamento da funcionalidade de grafo, na prática, dá mais tempo para as instituições financeiras ajustarem seus sistemas à nova exigência. Por outro lado, a confirmação da mudança no MED para 1º de setembro mantém o setor em alerta para a implementação em um prazo mais curto.

As áreas de tecnologia, compliance e atendimento precisarão trabalhar de forma integrada para cumprir os novos prazos. Essa reorganização interna deve ser acompanhada de treinamento das equipes e atualização dos procedimentos de segurança.

Recuperação ainda depende de saldo

Ainda que a nova tecnologia amplie a capacidade de localização, a recuperação dos valores continuará dependendo da rapidez com que a vítima notifica o golpe e da existência de saldo nas contas identificadas. Isso significa que a ferramenta não garante o ressarcimento automático.

Caberá às instituições financeiras utilizar as informações da profundidade no grafo para agir dentro dessas condições, priorizando os casos com maior chance de recuperação.

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