Londres viveu uma manhã atípica no último domingo, quando a Southwark Bridge foi fechada ao trânsito e tomada por um rebanho de ovelhas. O evento, que já se tornou tradição na capital britânica, reuniu cerca de 1.500 Freemen of the City of London e convidados em um desfile solidário anual. A iniciativa presta homenagem a um privilégio histórico: em tempos antigos, os Freemen tinham o direito de conduzir gado através do Tamisa sem pagar portagem.
A versão moderna da celebração foi retomada em 2013 e, desde então, atrai curiosos e participantes de todas as idades.
Origens históricas do desfile
O desfile de ovelhas na Southwark Bridge não é apenas uma atração pitoresca; ele resgata um capítulo importante da história londrina. Os Freemen of the City of London, uma instituição que remonta à Idade Média, gozavam de certos direitos comerciais e de trânsito. Entre eles, estava a possibilidade de levar animais através do rio Tamisa sem arcar com taxas de portagem. Com o passar dos séculos, esse privilégio caiu em desuso, mas a memória permaneceu viva.
Em 2013, um grupo de Freemen decidiu reviver a tradição de forma simbólica e beneficente, transformando-a em um evento anual. A escolha da Southwark Bridge como palco não é aleatória: a ponte conecta a City de Londres à margem sul, região historicamente ligada ao comércio de lã e gado. A fonte não detalhou se há planos de expansão do evento para outras pontes da cidade.
Além do aspecto histórico, o desfile tem um forte componente solidário. A cada edição, os organizadores arrecadam fundos para instituições de caridade locais, embora os valores específicos não tenham sido divulgados nas informações fornecidas. A participação de 1.500 pessoas demonstra o engajamento da comunidade dos Freemen e de seus convidados. Muitos aproveitam a ocasião para vestir trajes temáticos, como pastores ou a personagem Little Bo Peep, criando um ambiente festivo e familiar.
A presença de ovelhas de raças raras também chama a atenção para a preservação da biodiversidade e das tradições rurais britânicas.
Gloria Hunniford lidera o rebanho
Um dos momentos mais aguardados foi a participação de Gloria Hunniford, de 86 anos, que liderou o rebanho pela primeira vez. A apresentadora de televisão, conhecida por sua longa carreira na mídia britânica, recebeu a Freedom of the City no início deste ano.
Para a ocasião, ela carregou um cajado de pastor decorado com uma fita cor-de-rosa, em memória de sua filha, Caron Keating, que morreu de câncer de mama em 2004. A imagem de Hunniford à frente das ovelhas emocionou os presentes e reforçou o caráter solidário do evento, já que a conscientização sobre o câncer de mama é uma das causas apoiadas pela família. A fonte não detalhou se Hunniford fará novas aparições em edições futuras.
A presença de uma figura pública como Gloria Hunniford trouxe visibilidade extra ao desfile. Sua trajetória como comunicadora e sua recente honraria como Freeman da City de Londres a conectam diretamente à tradição que o evento celebra. O cajado com fita cor-de-rosa serviu como um lembrete silencioso da importância da pesquisa e do apoio a pacientes oncológicos. Muitos participantes usaram acessórios semelhantes, criando uma onda de solidariedade ao longo da ponte.
A organização do evento não divulgou o valor total arrecadado, mas afirmou que a causa beneficente é central para a manutenção da iniciativa.
Feira da lã e atividades rurais
Além do desfile em si, os visitantes puderam desfrutar de uma feira da lã com cerca de 40 bancas. O espaço reuniu artesãos, produtores locais e vendedores de produtos derivados de ovelhas, como lãs, tecidos e alimentos. A feira é uma oportunidade para o público conhecer mais sobre a cadeia produtiva da lã e apoiar pequenos negócios. Demonstrações ao vivo de tosquia também foram realizadas, mostrando a habilidade dos tosquiadores e o manejo adequado dos animais.
Essas atividades aproximam o público urbano do universo rural, muitas vezes distante da rotina londrina.
As ovelhas de raças raras foram outro destaque. A presença desses animais não apenas enriquece o desfile, mas também alerta para a importância da conservação genética. Muitas raças ovinas britânicas estão ameaçadas ou em declínio, e eventos como esse ajudam a divulgar seu valor cultural e econômico. Os organizadores incentivaram os visitantes a interagir com os criadores e aprender sobre as características de cada raça. A feira da lã funcionou como um espaço educativo, com informações sobre sustentabilidade e produção ética.
A fonte não detalhou quais raças específicas estiveram presentes, mas o público pôde ver de perto a diversidade do rebanho.
Participação e atmosfera festiva
O clima na Southwark Bridge era de celebração e comunidade. Cerca de 1.500 Freemen e convidados percorreram a ponte ao lado das ovelhas, muitos fantasiados de pastores ou de Little Bo Peep. A escolha dos trajes remete às narrativas infantis e ao imaginário rural britânico, criando um contraste divertido com o cenário urbano de Londres. Crianças e adultos se misturaram, tirando fotos e interagindo com os animais.
A organização do evento destacou a importância de manter viva a tradição dos Freemen, ao mesmo tempo em que a adapta para os tempos atuais.
O desfile também serviu como um lembrete da história viva da City de Londres. Os Freemen of the City of London continuam a desempenhar um papel cerimonial e filantrópico, e o evento anual reforça esse vínculo com a comunidade. A ponte, normalmente movimentada por carros e ônibus, transformou-se em um palco a céu aberto, onde a herança medieval encontrou a Londres contemporânea. A fonte não detalhou se houve interrupções no trânsito além do horário do evento, mas a expectativa é de que a tradição continue nos próximos anos.
