Moraes bloqueia até R$ 6 bilhões de Willer Tomaz
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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens do advogado Willer Tomaz. A decisão foi tomada após a Polícia Federal apontar indícios de risco de fuga, uma vez que Tomaz viajou para Miami, nos Estados Unidos, em agosto, depois de ser alvo da operação Sem Desconto, que investiga fraudes em benefícios do INSS. A medida visa assegurar o ressarcimento de valores potencialmente desviados e também suspendeu as atividades empresariais do investigado.

Viagem a Miami acendeu alerta

A Polícia Federal considerou a viagem de Willer Tomaz a Miami um indício de risco de fuga. A operação Sem Desconto, deflagrada anteriormente, já havia colocado o advogado sob investigação por suposto envolvimento em esquema de fraudes contra o INSS. Após a viagem, a PF pediu o bloqueio de bens e restrições de locomoção, o que foi acatado por Moraes. A fonte não detalhou o prazo de vigência das medidas cautelares, mas a suspensão das atividades empresariais impede que Tomaz movimente recursos ou continue operando negócios enquanto durar a investigação.

Além do bloqueio bilionário, o magistrado ordenou uma investigação sobre a rede de correntistas da empresa Alcazar Holdings. Essa empresa é dona da conta que tinha o senador Flávio Bolsonaro cadastrado como “usuário master”, condição que dá a ele o poder de gerenciar a conta. A apuração busca mapear possíveis conexões financeiras e identificar outros envolvidos no esquema.

Conexões com Flávio Bolsonaro

As relações entre Willer Tomaz e o senador Flávio Bolsonaro são um dos focos da investigação. Segundo a Polícia Federal, Tomaz pagou viagens de Flávio à Europa e teria cedido um imóvel em São Paulo para a campanha do candidato em 2026, de acordo com a revista Piauí. Essas conexões reforçam a tese de que o advogado mantinha relações próximas com o senador, o que pode ter influenciado sua atuação em processos judiciais.

Os investigados poderão apresentar defesa e contestar as medidas cautelares. A investigação sobre a Alcazar Holdings deve revelar se o senador Flávio Bolsonaro utilizou a conta para movimentar recursos de origem ilícita. A fonte não detalhou se o senador será formalmente investigado nesse inquérito, mas a condição de “usuário master” indica que ele tinha controle sobre a conta.

Vazamento de informações no STJ

Paralelamente, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) abriu apuração interna para averiguar o vazamento de minutas de votos de ministros e de pareceres do Ministério Público Federal ao advogado. O servidor que seria o responsável pelo vazamento e que atua na área de informática do tribunal foi exonerado. A exoneração ocorreu após a divulgação do caso pela imprensa.

O vazamento de informações foi divulgado em reportagem do portal UOL. Segundo a reportagem, Willer Tomaz receberia informações adiantadas de votos dos ministros e posições do MPF e, com isso, definia a estratégia processual. O advogado negou categoricamente ter obtido esse tipo de acesso ou ter interferido ou ajustado o conteúdo de manifestações do MPF.

Defesa nega irregularidades

A defesa de Willer Tomaz nega todas as acusações e afirma que o advogado não cometeu irregularidades. O caso segue em segredo de justiça, e novas informações devem surgir conforme a Polícia Federal avançar nas apurações. O STF ainda não se pronunciou oficialmente sobre o teor completo da decisão.

O bloqueio de até R$ 6 bilhões é uma das maiores medidas cautelares patrimoniais já determinadas em investigações dessa natureza. A decisão de Moraes reflete a gravidade das suspeitas e a necessidade de garantir recursos para eventual ressarcimento aos cofres públicos. Enquanto isso, a investigação sobre a Alcazar Holdings e as conexões com o senador Flávio Bolsonaro seguem em andamento, com desdobramentos previstos para as próximas semanas.

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