Magalu e Casas Bahia desistem de ser a Amazon brasileira
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No auge da pandemia, o e-commerce brasileiro viveu seu maior boom. Magazine Luiza e Casas Bahia, duas das maiores varejistas do país, traçaram planos ambiciosos para se tornarem a Amazon brasileira. No entanto, o cenário mudou drasticamente com o aumento dos juros e a reestruturação financeira. Agora, ambas as empresas buscam alianças estratégicas com concorrentes, incluindo o Mercado Livre, para se manterem relevantes no mercado digital.

O boom do e-commerce e as ambições frustradas

Em julho de 2022, o Magazine Luiza comemorou a marca de 200 mil sellers na plataforma. O número representava o dobro de vendedores de um ano antes, com um ritmo de expansão de 10 mil novos vendedores por mês. Na mesma época, a Americanas tinha 132 mil sellers e a Casas Bahia, 138 mil.

O CEO Frederico Trajano e a presidente do conselho Luiza Helena Trajano participaram da Caravana Parceiro Magalu, evento que reforçava a estratégia de marketplace. Frederico Trajano chegou a afirmar que, no futuro, o 3P (vendas de terceiros) superaria a loja física e o 1P (vendas próprias).

Contudo, a Americanas reposicionou o online como canal secundário e reforçou a aposta na loja física. A Casas Bahia, por sua vez, nunca chegou a disputar o protagonismo no e-commerce. A Selic, que está acima de 10% ao ano desde 2022, encareceu o crédito e dificultou os investimentos no digital.

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Reestruturação e novas parcerias

Casas Bahia: parceria com o Mercado Livre

A Casas Bahia passou por reestruturação de passivos e troca de controle para a gestora Mapa Capital. No quarto trimestre de 2025, o Mercado Livre respondeu por quase metade do crescimento do canal online da Casas Bahia. O CEO Renato Franklin disse que querem vender onde o cliente está, justificando a parceria com o marketplace argentino.

Magalu: alianças com Americanas e outros

O Magalu também buscou alianças. A empresa fez parceria com a Americanas e vende nos canais de vendas de Itaú, Inter, Nubank, Bradesco, Livelo e Smiles. Segundo Roberto Belíssimo, CFO do Magalu, as parcerias devem ter rentabilidade e reciprocidade. A Magalog, operação logística do grupo, opera cerca de 510 mil metros quadrados de galpões, segundo analistas do Citi Research.

Tendência global de cooperação entre concorrentes

Para Alberto Serrentino, sócio-fundador da consultoria Varese Retail, o movimento das varejistas brasileiras reflete uma tendência global. Na China, é comum que empresas concorrentes sejam parceiras em iniciativas, sejam sócias ou tenham participações cruzadas. Serrentino destaca que os ecossistemas precisam trabalhar com uma visão aberta de buscar formas de crescer, mesmo que com alianças estratégicas com terceiros.

Assim, Magalu e Casas Bahia, que antes sonhavam em ser a Amazon brasileira, agora se unem a ela e a outros players para sobreviver em um mercado cada vez mais competitivo. A fonte não detalhou os resultados financeiros dessas parcerias, mas a tendência de cooperação entre concorrentes parece ter vindo para ficar.

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