Investidores institucionais globais, conhecidos como LPs, alertam que a renda fixa pode representar uma armadilha para os family offices. Essas estruturas gerenciam o patrimônio de famílias ricas.
A visão surge em um momento em que, no Brasil, a taxa básica de juros, a Selic, está em 14,75% ao ano. Isso torna difícil convencer famílias locais a alocar recursos em venture capital.
Para os players internacionais, no entanto, o questionamento é outro. Ele aponta para uma necessidade de diversificação além dos ativos tradicionais.
O desafio brasileiro e a visão global
No mercado nacional, convencer famílias brasileiras a destinar parte de seu patrimônio para venture capital se tornou o argumento mais difícil de ser aceito.
O cenário é influenciado diretamente pela atratividade da renda fixa. Ela oferece retornos garantidos pela elevada taxa de juros.
O questionamento internacional
Para os family offices com atuação global, a pergunta central não é mais por que entrar em venture capital. A indagação que surge, de acordo com esses investidores, é por que alguém acharia que a renda fixa basta como estratégia única de investimento.
Essa divergência de perspectivas ilustra como contextos econômicos distintos moldam as decisões de alocação de recursos.
Desempenho comparativo e o alfa significativo
Os defensores de uma alocação mais ampla baseiam seus argumentos em dados de desempenho.
- O retorno das bolsas de países desenvolvidos, em um determinado período, ficou em aproximadamente 9%.
- Quando comparado a outros investimentos, isso representa um alfa, ou ganho adicional, de 4% a 5% ao longo de mais de 20 anos.
Esse diferencial é considerado muito significativo para um family office. Essas estruturas buscam preservar e multiplicar o patrimônio familiar ao longo de gerações.
A necessidade de disciplina e paciência
Alcançar esse retorno superior, no entanto, não é uma tarefa simples ou rápida. Exige paciência durante os momentos mais desafiadores do ciclo de investimentos.
A disciplina se torna um componente crucial nesse processo. Tentar bater o sistema escolhendo apenas os momentos certos e evitando os ruins não é uma estratégia viável.
A constância na alocação é, portanto, um pilar para o sucesso. Essa abordagem disciplinada começa a mostrar seus frutos apenas após um período considerável.
Segundo as informações disponíveis, o investidor começa a ver esse alfa, mas só a partir do sétimo, oitavo ou nono ano. A longa janela de tempo reforça a necessidade de um compromisso de longo prazo.
O que diferencia um family office
Para três LPs consultados, o retorno financeiro é apenas uma parte da equação completa.
O que realmente diferencia um family office de um fundo institucional convencional está na natureza específica da relação estabelecida.
Vantagens da relação com o GP
A distinção também reside nas vantagens que essa relação pode trazer para o fundador e para o gestor do fundo, o GP, que souber aproveitá-la de maneira adequada.
Essa perspectiva sugere que o vínculo com um family office vai além de uma transação comercial pura. Pode envolver parcerias estratégicas, troca de conhecimentos e um alinhamento de interesses mais profundo.
A análise centrada nas pessoas
Em estágios iniciais de investimento, conhecidos como early stage, a avaliação muda de foco.
Para um dos especialistas, Cristobal, nessa fase a análise começa e termina nas pessoas por trás do negócio.
O foco no capital humano
Quando se está investindo em um estágio inicial, os fundadores da startup são tudo. Eles representam o principal ativo e o motor do potencial sucesso.
Essa ênfase no capital humano ressalta que, em investimentos de risco e inovação, números e projeções têm peso menor sem uma equipe fundadora competente e visionária.
A abordagem complementa a visão de que family offices, com sua perspectiva de longo prazo e relação próxima, podem estar especialmente bem posicionados para identificar e apoiar esses talentos.
O alerta sobre a renda fixa, portanto, é um convite a olhar para um ecossistema de investimentos mais rico e complexo.