Longevidade cresce, mas saúde ainda fica para trás
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O sistema de saúde brasileiro enfrenta um novo cenário: o envelhecimento populacional avança mais rápido que a capacidade de adaptação das instituições. A falta de coordenação no cuidado eleva custos e agrava quadros evitáveis, alerta Antonietto, diretor de Governança Clínica do A.C.Camargo Cancer Center. O tema será debatido no Healthcare Innovation Show 2026, que reúne especialistas para discutir a transformação necessária.

Essa realidade impõe uma reorganização do atendimento e uma nova postura dos gestores. A saúde precisa olhar para o paciente em sua totalidade, integrando todos os pontos de atenção.

Mudança demográfica pressiona hospitais

Na saúde, a mudança demográfica já se manifesta em vários aspectos:

  • aumento da idade média das pessoas internadas;
  • necessidade de profissionais preparados para atender essa população;
  • dificuldade de organizar o cuidado de quem vive sozinho ou distante da família.

Esse cenário exige respostas rápidas dos gestores, mas a estrutura atual ainda está aquém do necessário. “Ou a pessoa desenvolve o câncer quando está mais velha, ou chega à velhice convivendo com ele como uma condição crônica. O sistema precisa estar preparado para as duas situações”, destaca Antonietto.

Perfis distintos entre os idosos

Para os gestores, um dos desafios é abandonar uma visão homogênea da população idosa. Pessoas com a mesma idade cronológica podem apresentar necessidades completamente diferentes, desde indivíduos com boa autonomia até aqueles que precisam de cuidado contínuo e suporte intensivo.

Conhecer a biografia da pessoa também faz parte desse processo. Afinal, alguém que acumulou 80, 90 ou 100 anos de experiências não pode ser reduzido à idade ou ao diagnóstico. Antonietto aponta cognição e mobilidade como duas dimensões centrais para a longevidade. Preservar uma sem cuidar da outra, segundo ele, limita a autonomia.

Saúde integral ultrapassa o clínico

A discussão vai além da assistência estritamente clínica. Saúde mental, solidão, convivência, alimentação, higiene, segurança dentro de casa e formação de cuidadores passam a fazer parte de uma agenda que precisa ser incorporada ao planejamento da saúde.

É justamente na organização da jornada que aparece um dos principais dilemas apontados pelo diretor de Governança Clínica do A.C.Camargo Cancer Center. “Quando esse diálogo não existe, a decisão costuma ser tomada apenas pelo custo imediato”, afirma Antonietto.

Estrutura defasada agrava o problema

O atraso estrutural tem consequências que ultrapassam o balanço financeiro das organizações. Quando o sistema atua apenas depois que o problema aparece, situações potencialmente evitáveis podem evoluir para complicações mais graves. Para as organizações de saúde, isso significa:

  • maior ocupação;
  • necessidade de mais profissionais;
  • aumento da demanda por reabilitação;
  • sobrecarga de familiares e cuidadores.

O envelhecimento também coloca em xeque estruturas e processos desenhados para uma população mais jovem. Isso envolve desde arquitetura e equipamentos até contratos, interfaces digitais, comunicação e protocolos assistenciais.

Cuidado contínuo além da alta

A jornada não termina na alta hospitalar. É preciso saber onde a pessoa mora, se vive sozinha, quem poderá acompanhá-la a tratamentos, se está conseguindo se alimentar e se a residência oferece condições de segurança.

Nesse contexto, a tecnologia surge como aliada, mas não resolve tudo. “Um sensor pode avisar que alguém caiu, mas não organiza sozinho o cuidado depois da queda. Um algoritmo pode indicar um risco, mas não conversa com a família, não prepara a casa, não treina o cuidador e não pergunta ao paciente o que ele deseja”, afirma Antonietto.

Inovação precisa ser acessível

Há ainda o desafio de garantir que a inovação seja acessível e adequada a diferentes contextos. Uma solução sofisticada pode funcionar em ambientes de alto poder aquisitivo, mas não necessariamente ser aplicável em um sistema universal e marcado por desigualdades regionais.

Nesse sentido, a própria inovação precisa ser repensada: não basta desenvolver novas tecnologias; é necessário desenhá-las para as pessoas que efetivamente vão utilizá-las.

Evento discute adaptação do sistema

O desafio colocado para o setor de saúde é transformar essa mudança demográfica em uma agenda de adaptação estrutural — e não apenas em uma resposta aos problemas que surgem com o avanço da idade.

É nesse ponto que o painel do Healthcare Innovation Show 2026 pretende avançar: como preparar o sistema para uma sociedade que já está envelhecendo, antes que o custo da falta de coordenação se torne ainda maior?

Garanta seu ingresso no site oficial do evento e confira a programação completa.

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