A britânica IWG, dona das marcas Regus, Spaces e HQ, está ampliando sua atuação no Brasil com o lançamento de três novas bandeiras: Humanly, OpenOffice e Signature. O movimento ocorre em um momento de expansão do mercado de coworking no país, que cresceu 30% em 2025, segundo o Censo do setor realizado pela plataforma Woba. A empresa busca capturar um mercado ainda pouco explorado, já que os espaços flexíveis representam menos de 4% do mercado imobiliário brasileiro.
O portfólio atual da IWG no Brasil soma mais de 165 mil metros quadrados ocupados. A empresa resistiu à escalada do WeWork a partir de 2017 e cresceu no vácuo da crise da rival americana, instaurada três anos depois. Agora, a estratégia multimarcas visa atender diferentes perfis de clientes e regiões.
Humanly: coworking focado em saúde e bem-estar
A Humanly é a mais recente aposta da IWG no segmento de saúde. Lançada globalmente em janeiro deste ano, a marca inaugurou sua primeira unidade em março, no Reino Unido. No Brasil, a primeira unidade será aberta neste mês em Canoas (RS), e a segunda em outubro, em Pinheiros, na zona Oeste de São Paulo.
As unidades da Humanly têm, em média, 600 metros quadrados e são projetadas para profissionais como médicos, psicólogos, psiquiatras, terapeutas, profissionais de estética e pilates. O formato também pode reservar espaço para clínicas estruturadas sob o conceito de built to suit. A IWG prevê assinar outros seis contratos até o fim de 2026 em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.
“Nós estamos começando no mesmo ritmo que outras operações globais da Humanly, como Madri, Barcelona e Lisboa”, afirma Tiago Alves, CEO da IWG no Brasil. “É um mercado ainda novo, inclusive no mundo, mas essa operação vai tracionar muito forte, pois os médicos com essas especializações têm muita carência de estrutura”.
No Brasil, a IWG encontrará concorrência da Livance, startup que já captou mais de R$ 115 milhões com investidores como Monashees, Astella, Terracotta Ventures, Green Rock e Cadonau, o investment office do Grupo Jereissati, dono do Iguatemi.
OpenOffice: acessível e sem recepção
A OpenOffice é a segunda nova marca lançada recentemente no país. Em julho, Niterói (RJ) recebeu a primeira unidade com esse logo. Outras cinco, em Ribeirão Preto (SP), São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, já estão no pipeline de aberturas para este ano.
Com unidades que vão de 250 a 400 metros quadrados, a OpenOffice é a marca mais acessível do portfólio da IWG. Ela é mais centrada em municípios menores e bairros secundários de grandes centros. Os escritórios não contam com salas de recepção nem atendimento telefônico; os acessos são feitos via QR Code e funcionários da IWG visitam diariamente as unidades, mas não há um profissional dedicado presencialmente 100% do tempo.
Esse formato reduz custos e torna o investimento mais atrativo para os donos dos imóveis. “Uma unidade da Regus demanda um investimento de cerca de R$ 4 milhões. Já uma da OpenOffice, de 400 metros quadrados, de aproximadamente R$ 800 mil”, diz Alves. “Então, para nós, isso é muito importante, pois eu consigo jogar com as marcas dependendo do potencial de capex desse parceiro”.
Signature: alto padrão na Faria Lima
A próxima peça no tabuleiro da IWG é a Signature, a marca mais premium do grupo. Composta por escritórios de alto padrão, em média de mil metros quadrados, a Signature será instalada nos melhores prédios das capitais, com grande foco em design, arquitetura e tecnologia.
Depois de testar o formato com uma primeira unidade inaugurada no início de 2025, ainda com a bandeira Regus, a IWG está em negociações avançadas para a abertura de uma segunda operação na região da Faria Lima, em São Paulo, prevista para o primeiro trimestre de 2027.
Portfólio diversificado e bom momento do setor
Além do novo trio, a IWG mantém suas marcas tradicionais no Brasil. A Regus, bandeira mais conhecida, foi responsável pelo desembarque do grupo no país em 1995 e tem unidades mais sóbrias, de mil metros quadrados em média, em prédios comerciais nas principais avenidas das capitais e grandes centros.
A Spaces é a marca mais despojada e aposta em prédios inteiros, com espaços de 2,5 mil a 8 mil metros quadrados. Já a HQ, assim como a OpenOffice, investe em tamanhos menores, mas em um patamar acima, em média de 500 metros quadrados, com recepção e funcionários presenciais.
Essa diversificação coincide com o bom momento do mercado de coworkings no Brasil. Segundo o Censo do setor, realizado pela plataforma Woba, o segmento fechou 2025 com 3.886 espaços em operação, um crescimento anual de 30%.
“Com a pandemia, as empresas viram o quão caro é pagar um escritório que você não usa e o quanto custa quebrar um contrato de aluguel”, afirma Alves. “E, nesse cenário, o escritório flexível joga muito forte”.
