Irã suspende negociações com EUA por meio de mediadores
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O Irã suspendeu, nesta segunda-feira, todas as trocas com os Estados Unidos por meio de mediadores, conforme agências noticiosas iranianas. A decisão foi motivada pelos “crimes contínuos” de Israel no Líbano, segundo a imprensa local. A equipe negociadora iraniana interrompeu os diálogos e a troca de textos através de intermediários.

Motivações da suspensão

De acordo com as fontes, o Irã e o Eixo da Resistência decidiram buscar o fechamento completo do Estreito de Ormuz e ativar outras frentes, incluindo o Estreito de Bab al-Mandab. Teerã exigiu a retirada total das forças israelenses do Líbano. A partir de agora, o Irã responsabiliza diretamente Washington pela conduta militar israelense.

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, escreveu na rede X: “A violação em uma frente é uma violação do cessar-fogo em todas as frentes. Os Estados Unidos e Israel são responsáveis pelas consequências de qualquer violação”.

Acusações de violação do cessar-fogo

Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano, acusou os Estados Unidos de violarem o cessar-fogo ao manter o bloqueio militar aos portos iranianos e por não conter a ofensiva israelense no Líbano. A recém-criada Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, do Irã, que cobrava 2 milhões de dólares por passagem de cada navio, foi alvo de sanções do Departamento do Tesouro dos EUA na semana passada.

Contexto do conflito regional

O Hezbollah é o componente mais poderoso do que o Irã designa por Eixo da Resistência. A rede foi construída ao longo de décadas pela Força Quds dos Guardas Revolucionários. Israel está envolvido em uma intervenção militar contra o Hezbollah desde os primeiros dias da guerra com o Irã.

A guerra com o Irã começou com ataques conjuntos Estados Unidos–Israel ao Irã no final de fevereiro, que provocaram a morte do aiatolá Ali Khamenei. O Hezbollah respondeu ao assassinato com uma série de ataques com mísseis contra Israel.

Cessar-fogo e negociações anteriores

Um cessar-fogo na guerra do Irã entrou em vigor em 8 de abril, com o Paquistão servindo como principal mediador entre Washington e Teerã. Um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos entre Israel e o Líbano entrou em vigor em 16 de abril.

As conversas entre Irã e Estados Unidos abordaram o Estreito de Ormuz, as reservas de urânio enriquecido do Irã, o alívio de sanções e os termos de um acordo duradouro. As duas partes trabalhavam em um memorando de entendimento de 60 dias que prolongaria o cessar-fogo e abriria negociações nucleares.

O acordo aguardava a aprovação final tanto do presidente dos EUA, Donald Trump, quanto do aiatolá Mojtaba Khamenei. Trump manifestou otimismo em relação às conversas em uma publicação na sua plataforma Truth Social. A suspensão das negociações representa um revés para os esforços diplomáticos em curso.

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