Levantamento aponta recuo nos investimentos em construtechs
Os investimentos em startups do setor da construção, conhecidas como construtechs, apresentaram recuo em 2025. A constatação é de um levantamento realizado pela Liga Ventures, organização que atua desde 2015 no apoio à transformação digital de grandes companhias.
Os dados foram obtidos pela plataforma Startup Scanner, criada pela própria Liga Ventures para monitorar negócios do Brasil e da América Latina. A ferramenta compila informações e permite avaliar movimentos de mercado, histórico de soluções e possíveis pontos de conexão com empresas interessadas em inovação.
A organização mantém uma base com mais de 62,7 mil startups e utiliza sua rede para acelerar projetos, estruturar programas corporativos e apoiar transações por meio da Liga ADVISIA. A informação sobre o recuo dos investimentos foi divulgada inicialmente pelo portal Startupi, em post escrito por Tiago Souza.
O cenário de 2025 contrasta com períodos anteriores de maior aquecimento para o segmento. A seguir, o estudo detalha o perfil das empresas que continuam ativas no mercado.
Perfil das startups mais ativas no setor
A análise de maturidade das construtechs mapeadas revela um ecossistema em diferentes estágios de desenvolvimento. Conforme os dados:
- 37% estão classificadas como estáveis (grupo consolidado)
- 30% são consideradas emergentes
- 22% são nascentes (fase inicial)
- 11% são categorizadas como disruptoras (inovação agressiva)
O público-alvo principal segue concentrado em clientes do tipo B2B, que representam 81% do total. Isso evidencia um foco em negócios para outras empresas.
Essa distribuição mostra a diversidade do setor, que vai desde ideias recentes até operações mais sólidas.
Principais categorias de atuação identificadas
Segmentos com maior concentração de iniciativas
O levantamento identificou as categorias com maior concentração de iniciativas criadas no período analisado:
- Soluções para cotação e compra de insumos
- Construção modular
- Gestão de obras
- Realidade virtual e interatividade
- Conteúdo e educação
Esses grupos representam movimentos de digitalização voltados a eficiência, redução de perdas, organização de dados e visualização técnica de projetos.
As startups buscam modernizar processos tradicionais da construção civil, que muitas vezes são manuais e fragmentados.
Tecnologias que impulsionam o setor
Ferramentas mais utilizadas pelas construtechs
Em relação às tecnologias mais usadas, o estudo lista:
- Marketplace
- Dashboards
- Análise de dados
- API
- Computação em nuvem
Essas ferramentas são fundamentais para criar plataformas integradas e oferecer serviços escaláveis. A computação em nuvem, por exemplo, permite que empresas de qualquer porte acessem sistemas robustos sem grandes investimentos iniciais em infraestrutura.
Inteligência artificial no setor
Um dado específico chama a atenção: entre as startups mapeadas, 29 utilizam inteligência artificial em diversas aplicações.
Elas empregam a tecnologia para:
- Automação de projetos
- Gestão de canteiros
- Monitoramento por visão computacional
- Criação de gêmeos digitais
- Previsão de custos e controle financeiro
- Atendimento, vendas e manutenção preditiva de ativos
O uso dessas ferramentas indica que pequenas estruturas passam a buscar ganho operacional com métodos mais sofisticados. Isso demonstra uma maturidade tecnológica crescente no ecossistema de startups de construção.
O que o recuo de 2025 significa para o mercado?
O recuo nos investimentos em 2025 pode ser interpretado como um momento de ajuste no mercado. Após anos de crescimento, o setor de construtechs parece entrar em uma fase de consolidação, onde investidores podem estar mais seletivos.
É importante notar que a queda nos aportes não necessariamente reflete uma diminuição na atividade ou na inovação das empresas existentes.
O levantamento da Liga Ventures oferece um retrato detalhado de quem está no mercado e como essas empresas operam. Com uma base de milhares de startups e uma ferramenta de análise própria, a organização tem condições de monitorar tendências de longo prazo.
Para o futuro, o desafio será manter a inovação mesmo em um cenário de recursos mais escassos. As construtechs que conseguirem demonstrar eficiência operacional e resultados concretos provavelmente terão mais chances de atrair investimentos quando o ciclo se reaquecer.
