Healthcare Innovation Show 2026: futuro da medicina em pauta
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O primeiro dia do Healthcare Innovation Show (HIS 2026) evidenciou a transição entre as discussões teóricas sobre transformação digital e a sua aplicação prática na gestão de instituições privadas e na sustentabilidade do Sistema Único de Saúde (SUS). Realizado em São Paulo, o evento reuniu lideranças do setor para debater como a tecnologia pode gerar resultados concretos, com foco no ganho de experiência do paciente e no uso racional de recursos.

Em um cenário em que a inteligência artificial se estabelece como ferramenta de apoio à decisão clínica e operacional, as frentes do evento convergiram para a busca de resultados mensuráveis.

Para Juliana Vicente, diretora do portfólio de Saúde da Informa Markets, organizadora do evento, também responsável pela Hospitalar, a síntese das pautas reflete o amadurecimento do setor diante dos desafios de escala e acesso no país. Segundo ela, o HIS 2026 deixou claro que a inovação não é mais um conceito abstrato, mas uma necessidade urgente para a eficiência dos sistemas de saúde. A executiva ressaltou que as discussões apontaram para um equilíbrio entre a adoção tecnológica e a humanização do cuidado.

Inteligência artificial como apoio à decisão clínica

A respeito da presença crescente da inteligência artificial nos ambientes hospitalares, Moll reforçou o valor insubstituível da presença física no atendimento. O executivo destacou que, embora a IA possa processar grandes volumes de dados e sugerir diagnósticos, o contato humano continua sendo essencial para a confiança do paciente e a qualidade do cuidado. Essa visão foi compartilhada por outros painelistas, que enfatizaram a necessidade de integrar a tecnologia sem desumanizar a prática médica.

Esse ganho de tempo foi destaque entre algumas das vantagens da tecnologia para as equipes de saúde. O executivo falou sobre ferramentas de automação e captura de voz no preenchimento de prontuários eletrônicos, medida que reduz a carga burocrática das equipes. Com menos tempo dedicado à documentação, os profissionais podem se concentrar no atendimento direto ao paciente, melhorando a eficiência e a satisfação no trabalho. A automação também minimiza erros de registro e facilita o acesso a informações clínicas em tempo real.

Elisabete Mitsue Pereira, diretora assistencial e de experiência do paciente da Rede Américas, pontuou a transformação no dia a dia das equipes. Ela observou que a adoção de tecnologias como a captura de voz não apenas agiliza o fluxo de trabalho, mas também melhora a comunicação entre os membros da equipe multidisciplinar. A diretora ressaltou que a experiência do paciente é diretamente impactada quando os profissionais têm mais tempo para interagir e ouvir suas necessidades.

Interoperabilidade e monitoramento em tempo real

Os painelistas defenderam a interoperabilidade de dados e o monitoramento em tempo real para antecipar gargalos na rede assistencial. A troca eficiente de informações entre diferentes sistemas de saúde permite uma visão integrada do paciente, evitando duplicidade de exames e atrasos no tratamento. Com dados em tempo real, gestores podem identificar rapidamente áreas de sobrecarga e realocar recursos de forma proativa. Essa abordagem é especialmente relevante no SUS, onde a demanda é alta e os recursos são limitados.

Rosangela Franzese sublinhou o papel da saúde digital no suporte aos territórios e no combate ao absenteísmo em consultas especializadas. A especialista explicou que ferramentas digitais, como lembretes automáticos e teleconsultas, podem reduzir significativamente as faltas, otimizando a agenda dos especialistas e ampliando o acesso da população. No contexto territorial, a saúde digital permite levar atendimento a áreas remotas, conectando equipes locais a centros de referência. A fonte não detalhou exemplos específicos de implementação, mas destacou o potencial transformador dessas soluções.

Experiência do paciente como prioridade

O foco no ganho de experiência do paciente permeou todas as discussões do primeiro dia do HIS 2026. Especialistas concordaram que a tecnologia deve ser um meio para humanizar o atendimento, não um fim em si mesma. A automação de tarefas burocráticas, por exemplo, libera tempo para que os profissionais se dediquem à escuta ativa e ao acolhimento. Além disso, a interoperabilidade permite que o paciente não precise repetir sua história a cada consulta, reduzindo o estresse e melhorando a continuidade do cuidado.

Elisabete Mitsue Pereira reforçou que a experiência do paciente está intrinsecamente ligada à eficiência operacional. Quando os processos são ágeis e integrados, o paciente percebe um cuidado mais coordenado e seguro. A diretora destacou que a Rede Américas tem investido em soluções que colocam o paciente no centro, utilizando dados para personalizar o atendimento e antecipar necessidades. A fonte não detalhou métricas específicas, mas indicou que a satisfação dos pacientes tem aumentado com a implementação dessas práticas.

Sustentabilidade do SUS e desafios de escala

O evento também abordou a sustentabilidade do Sistema Único de Saúde, um dos maiores desafios do país. Com mais de 200 milhões de usuários, o SUS enfrenta pressões constantes por eficiência e equidade. A transformação digital foi apontada como um caminho para otimizar recursos, reduzir desperdícios e melhorar a qualidade do atendimento em larga escala. No entanto, os participantes reconheceram que a implementação tecnológica no SUS exige investimentos em infraestrutura, capacitação e governança de dados.

Juliana Vicente destacou que o amadurecimento do setor passa pela colaboração entre público e privado. A troca de experiências e a construção de padrões interoperáveis são fundamentais para que as inovações cheguem a todos os níveis de atenção. A diretora mencionou que o HIS 2026 serviu como plataforma para fomentar essas parcerias, conectando startups, hospitais e gestores públicos. A fonte não detalhou acordos específicos, mas sinalizou que o diálogo está avançando.

Perspectivas para os próximos dias

O primeiro dia do Healthcare Innovation Show 2026 deixou claro que o setor de saúde está em um momento de transição, saindo da teoria para a prática. As discussões apontaram para um futuro em que a inteligência artificial, a interoperabilidade e a experiência do paciente caminham juntas. Os organizadores esperam que os próximos dias do evento aprofundem esses temas, com demonstrações práticas e estudos de caso. A expectativa é que as soluções apresentadas possam ser replicadas em diferentes contextos, contribuindo para um sistema de saúde mais resiliente e acessível.

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