Novo guia orienta transição no rastreamento do câncer de colo do útero
A Fundação do Câncer lançou nesta quinta-feira a versão atualizada do Guia Prático de Prevenção do Câncer de Colo do Útero. O documento orienta profissionais de saúde na transição gradual do exame Papanicolau para o teste molecular de DNA-HPV no Sistema Único de Saúde (SUS).
Esta é a segunda edição do material, cuja primeira versão foi lançada em 2022. As mudanças refletem avanços significativos na prevenção e detecção precoce da doença.
Mudanças na vacinação e no método de rastreamento
Expansão da vacinação contra HPV
Em 2025, houve uma ampliação do público-alvo para vacinação contra o HPV, embora a fonte não detalhe os grupos específicos envolvidos nessa expansão. A imunização segue sendo uma ferramenta fundamental na estratégia de prevenção.
Implementação do teste molecular no SUS
O rastreamento foi incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) em 2024. O processo de implementação dos testes moleculares para detecção do HPV oncogênico foi iniciado em setembro do ano passado e ocorrerá de forma gradativa.
Diferenças entre os exames disponíveis
Papanicolau vs. teste molecular de DNA-HPV
- Papanicolau: identifica alterações celulares quando elas já estão presentes
- Teste molecular de DNA-HPV: detecta a infecção pelo HPV, vírus responsável pela maioria dos casos de câncer de colo do útero
Existe um grupo de mais dez tipos de HPV, considerados pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc) responsáveis por 30% dos casos de câncer de colo de útero. O teste molecular é capaz de identificar a presença desses tipos específicos do vírus.
Novos intervalos para realização de exames
Frequência do rastreamento
Com o exame molecular (DNA-HPV), mais sensível, sabe-se que 99% das mulheres têm teste negativo. Essa alta taxa de resultados negativos confiáveis permite ajustes nos intervalos entre os exames.
Cronograma de exames
- Primeiros exames: anuais
- Após resultados negativos: trienais
- Em determinadas situações: pode-se ampliar o intervalo para cinco anos
Para o método anterior (citologia), o teste tinha de ser repetido de três em três anos após um resultado negativo, depois de dois resultados negativos feitos no intervalo de um ano.
Impacto na saúde pública brasileira
Implementação gradativa
A implementação gradativa dos testes moleculares promete transformar o cenário do rastreamento do câncer de colo do útero no Brasil. O processo seguirá um cronograma de expansão pelo território nacional.
Capacitação profissional
O guia atualizado serve como um roteiro essencial para médicos, enfermeiros e outros profissionais envolvidos no cuidado à saúde da mulher. A padronização das práticas em todo o país é crucial para o sucesso da iniciativa.
