Expansão do universo está desacelerando, revela estudo
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A expansão do Universo, fenômeno que por décadas se acreditou estar em aceleração constante, pode estar, na verdade, desacelerando. Essa é a conclusão de um estudo liderado por Animesh Sah, Mohamed Rameez e Subir Sarkar, publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. A pesquisa, divulgada pelo Site Inovação Tecnológica em 29 de julho de 2026, baseia-se em uma análise corrigida do catálogo de supernovas Pantheon+ e sugere que a energia escura talvez não seja o que se pensava.

Supernovas: os faróis que medem o Universo

As supernovas funcionam como marcadores de distâncias cosmológicas. Esses eventos cataclísmicos, que marcam o fim da vida de estrelas massivas, emitem um brilho intenso e previsível. Graças a essa característica, os astrônomos podem calcular a distância até elas com notável precisão. Dessa forma, as supernovas se tornaram instrumentos fundamentais para mapear a estrutura do Universo e sua evolução ao longo do tempo.

Observações de milhares desses objetos, compiladas em catálogos como o Pantheon+, fornecem uma linha do tempo da expansão cósmica. Análises como essa exigem um trabalho meticuloso de calibração. Afinal, a confiabilidade das medições depende de correções que levem em conta as propriedades intrínsecas das estrelas que deram origem às explosões.

Tensão de Hubble: o alerta de que algo não se encaixava

As dúvidas sobre a aceleração da expansão do Universo surgiram aos poucos, disfarçadas sob o nome de tensão de Hubble. Inicialmente, tratava-se de pequenas discrepâncias entre diferentes métodos de medição. Com o passar dos anos, os indícios se avolumaram. A tensão se transformou em uma crise da cosmologia, com implicações profundas para a compreensão do cosmos.

Divergências na constante de Hubble

A tensão de Hubble se manifestou quando valores da constante de Hubble obtidos por observações locais começaram a divergir significativamente dos valores inferidos a partir da radiação cósmica de fundo. Essa discordância persistiu mesmo com o refinamento dos instrumentos e das técnicas, alimentando uma série de estudos que revisitaram os dados originais em busca de possíveis fontes de erro sistemático.

O impacto das correções baseadas na idade estelar

Após aplicar as correções, os pesquisadores constataram que os dados não corroboram mais a imagem de um Universo em aceleração uniforme. O tratamento específico levou em conta a idade das estrelas progenitoras das supernovas, um fator que pode influenciar as medições de brilho e distância. O resultado foi surpreendente: a análise indica que a expansão cósmica está, no geral, desacelerando, e não acelerando.

Energia escura perde o protagonismo

Esse achado contraria a visão consolidada de que o Universo estaria se expandindo cada vez mais rápido. A implicação imediata é que a energia escura, proposta como responsável pela aceleração, pode não ter o papel preponderante que se imaginava. Assim, o estudo coloca um ponto de interrogação sobre a necessidade da energia escura.

A hipótese da anisotropia e a queda da energia escura

A nova interpretação surgiu ao se considerar se a aceleração inferida pode, na verdade, ser anisotrópica, ou seja, apresentar propriedades diferentes quando medida em direções diferentes e, portanto, desviar-se do modelo cosmológico padrão. Em um cosmos anisotrópico, a taxa de expansão não seria a mesma em todas as regiões do céu, o que poderia falsear uma suposta aceleração. Caso a expansão não seja uniforme, a interpretação dos dados muda radicalmente.

Vácuo quântico não pode ser direcional

Se isso fosse verdade, argumentam os pesquisadores, a energia escura não poderia ser responsável pela aceleração, pois o efeito do vácuo quântico não pode ser anisotrópico. O vácuo quântico, por definição, deve ser uniforme e invariante em todas as direções. Portanto, a detecção de anisotropia seria um argumento contundente contra a energia escura como explicação.

Desafios ao princípio cosmológico

A possibilidade de anisotropia desafia diretamente o princípio cosmológico, que postula que o Universo é homogêneo e isotrópico em grandes escalas. Se o Universo não é igual em todas as direções, muitos dos alicerces da cosmologia moderna precisarão ser revistos. Tal descoberta teria implicações profundas para a física fundamental.

Detalhes da publicação científica

  • Título do artigo: “Pantheon+ supernovae corrected for progenitor age indicate the universe is decelerating”
  • Autores: Animesh Sah, Mohamed Rameez e Subir Sarkar
  • Revista: Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, volume 549, edição 3
  • DOI: 10.1093/mnras/stag844

O estudo está disponível para consulta e certamente fomentará novos debates e análises complementares.

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