Entenda as eleições de meio de mandato nos EUA
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As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, realizadas em novembro, renovam parte do Congresso e funcionam como um retrato da satisfação popular com o governo federal. Neste ano, o pleito ocorreu em meio a um cenário de forte desgaste do presidente Donald Trump, do Partido Republicano. A disputa é considerada um termômetro da opinião pública, pois os eleitores tendem a votar em candidatos do partido contrário quando estão insatisfeitos com o atual mandatário.

O que são as eleições de meio de mandato

Nos Estados Unidos, dois partidos dominam a política: os Republicanos e os Democratas. Existem outras legendas, como o Partido Verde e o Libertário, mas com pouca presença no Congresso. A cada dois anos, os americanos vão às urnas para escolher todos os assentos da Câmara dos Deputados e cerca de um terço do Senado. Quando essa votação ocorre no meio do mandato presidencial, recebe o nome de eleições de meio de mandato.

O resultado dessas eleições é visto como um recado das urnas ao presidente em exercício. Quanto mais insatisfeitos com o governo, mais os cidadãos tendem a votar em políticos do partido contrário. Esse padrão se repetiu em 2018, quando o Partido Democrata conquistou a maior parte das cadeiras da Câmara, evidenciando o desgaste de Donald Trump perante seu eleitorado.

O desgaste do presidente Trump

O atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é do Partido Republicano. A vitória do Partido Democrata, conquistando a maior parte das cadeiras da Câmara e também no Congresso, mostrou o desgaste que o presidente vem sofrendo perante seu eleitor. Esse desgaste já vinha aparecendo nas pesquisas de opinião. Nos últimos meses, os índices de aprovação do governo Trump não ultrapassavam a casa dos 30%. A desaprovação, por sua vez, tem sido na casa dos 60%.

Com a perda do controle da Câmara, o presidente enfrenta um cenário político mais adverso. A oposição democrata ganha poder para investigar o governo e bloquear parte de sua agenda legislativa. Ainda assim, os republicanos mantiveram a maioria no Senado, o que limita o alcance da virada democrata.

O papel do Congresso americano

O presidente norte-americano depende do Congresso, entre outras coisas, para aprovação de orçamento; criação e alteração de leis; aprovação de nomes para a Suprema Corte, para o Gabinete Presidencial e para o comando de agências federais, como o FBI e a CIA. Além disso, o Congresso tem a palavra final sobre o envio de dinheiro para reforçar militarmente algum outro país em guerra e sobre a declaração de guerra a outra nação.

Portanto, o resultado das eleições de meio de mandato influencia diretamente a capacidade do presidente de governar. Com a Câmara sob controle democrata, Trump terá mais dificuldade para aprovar projetos de lei e indicações. No entanto, o Senado republicano ainda garante a confirmação de juízes federais e outras nomeações importantes.

Votações estaduais e consultas públicas

Por ter regras específicas, cada estado também traz uma cédula com votações próprias. Os eleitores do Kansas, por exemplo, votaram para deputado, senador, governador, secretário de Estado do Kansas, procurador-geral, tesoureiro e comissário de Seguros. No estado do Missouri, vizinho de Kansas, os eleitores votaram apenas para auditor estadual, deputado e representantes estaduais, o equivalente a deputado estadual no Brasil.

Além disso, cada estado aproveita a ida dos eleitores às urnas para fazer consultas públicas. Na cédula do Kansas, por exemplo, havia uma consulta a ser feita. Na cédula do Missouri, por sua vez, havia oito consultas. Essas consultas podem tratar de temas variados, como mudanças constitucionais ou políticas locais.

As eleições de meio de mandato nos EUA, portanto, vão muito além da disputa pelo Congresso. Elas refletem o humor do eleitorado, definem o equilíbrio de poder em Washington e ainda decidem questões locais em cada estado. O resultado de 2018 sinalizou um claro recado de insatisfação com o governo Trump, mas o cenário político continua dividido.

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