A Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da ONU especializada em clima, alertou nesta quinta-feira que o fenômeno El Niño deve se intensificar nos próximos meses e persistir até fevereiro de 2027. Segundo a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, as previsões indicam probabilidade de quase 100% de que o evento continue, podendo ser um dos mais fortes desde pelo menos 1950. A declaração foi divulgada em comunicado junto com o boletim mais recente do órgão.
O anúncio ocorre em um momento de atenção global para os impactos climáticos, com recordes de temperatura sendo quebrados sucessivamente. A OMM destacou que as temperaturas da superfície do mar no Pacífico tropical central e oriental — região central do fenômeno — devem atingir uma anomalia recorde de 3,7 graus Celsius acima do normal entre outubro e dezembro. Esse valor supera significativamente o recorde anterior de 2,6°C, registrado de novembro de 2015 a janeiro de 2016.
Anomalia recorde no Pacífico preocupa cientistas
A previsão de 3,7°C acima do normal representa um salto expressivo em relação aos registros históricos. A anomalia anterior, de 2,6°C, ocorreu durante o intenso El Niño de 2015-2016, que causou secas severas, inundações e impactos na agricultura em várias partes do mundo. Agora, os modelos climáticos apontam para um aquecimento ainda maior das águas do Pacífico equatorial.
Celeste Saulo explicou que o oceano do qual o El Niño está extraindo calor é o mais quente já medido. “Simplesmente há mais calor disponível para ser liberado”, afirmou. Essa condição oceânica excepcional é um dos fatores que levam os especialistas a projetar um evento de magnitude rara, com consequências potencialmente amplas para o clima global.
El Niño: o que é e como afeta o clima
O El Niño é a fase quente do ciclo natural El Niño-Oscilação Sul, um padrão climático que influencia o clima em todo o mundo. Ele tende a causar temperaturas globais mais altas e a perturbar os padrões de chuva em grandes regiões — o que significa seca em algumas áreas e chuvas intensas em outras. O fenômeno geralmente ocorre a cada dois a sete anos, com intensidade variável.
Durante um El Niño forte, os ventos alísios enfraquecem e as águas quentes do Pacífico ocidental se deslocam para o leste, alterando a circulação atmosférica. Isso pode levar a estiagens prolongadas no sudeste asiático e na Austrália, enquanto a costa oeste da América do Sul pode enfrentar chuvas torrenciais. No Brasil, os efeitos incluem mudanças nos regimes de chuva no Norte e Nordeste, além de possíveis impactos na agricultura.
Calor global em níveis sem precedentes
O alerta da OMM vem em um contexto de temperaturas globais recordes. As temperaturas médias globais em agosto atingiram 16,96°C, empatando com julho de 2023 como o mês mais quente já registrado, de acordo com o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus da União Europeia. Esse dado reforça a tendência de aquecimento contínuo do planeta, que pode ser amplificada pelo El Niño em curso.
A combinação do aquecimento global de longo prazo com um El Niño forte tende a elevar ainda mais as temperaturas médias nos próximos meses. Cientistas alertam que 2027 pode se tornar um dos anos mais quentes da história, superando marcas anteriores. A influência do fenômeno sobre o clima global deve se estender por vários meses, mesmo após seu pico previsto para o fim de 2026.
Impactos na saúde e na economia
Além dos efeitos climáticos diretos, o El Niño pode ter consequências significativas para a saúde pública e a economia. Pesquisadores do Laboratório de Impacto Climático da Universidade de Chicago previram, no mês passado, que o “super El Niño” deste ano provavelmente resultaria em até 451 mil mortes a mais em todo o mundo, de junho a fevereiro de 2027. O estudo considera fatores como ondas de calor, insegurança alimentar e propagação de doenças.
Essas projeções, embora sujeitas a incertezas, destacam a necessidade de preparação e adaptação. Governos e organizações humanitárias são instados a monitorar de perto as condições climáticas e a implementar medidas de mitigação. A OMM continuará emitindo atualizações regulares sobre a evolução do fenômeno e seus impactos esperados.
A fonte não detalhou projeções específicas para cada país, mas ressaltou que os efeitos serão sentidos de forma desigual ao redor do globo. A comunidade internacional acompanha com atenção os desdobramentos, enquanto cientistas buscam refinar os modelos de previsão para orientar políticas públicas.
Fonte
- agenciabrasil.ebc.com.br
- Rádios (radios.ebc.com.br)
- TV Brasil Repórter Brasil de 7 de outubro de 2026; assista na íntegra (tvbrasil.ebc.com.br)
