A economia da China cresceu 4,3% no segundo trimestre na comparação anual, o menor índice em três décadas, excluindo o período excepcional da Covid-19. O anúncio do Escritório Nacional de Estatística indica um avanço do Produto Interno Bruto (PIB) inferior aos 5% registrados no primeiro trimestre e abaixo da meta oficial de 4,5% a 5% para 2026. Os números reforçam a percepção de que a segunda maior economia do mundo atravessa um momento marcado por sinais simultâneos de fragilidade e resistência.
PIB desacelera e meta fica distante
O crescimento de 4,3% no segundo trimestre representa uma desaceleração em relação aos 5% do trimestre anterior. A meta oficial do governo para 2026 é de 4,5% a 5%, o que torna o resultado atual insuficiente para alcançar o centro da faixa. A fonte não detalhou as projeções para o restante do ano, mas o dado acende alertas sobre a capacidade de recuperação da economia chinesa. A desaceleração do segundo trimestre, somada ao fim do ciclo de deflação, marca um ponto de inflexão.
Crise imobiliária ainda trava consumo
A crise prolongada do setor imobiliário – com queda de 18% nos investimentos nesse segmento na comparação anual – mostra que a economia interna segue travada. A crise imobiliária drenou poupanças e reduziu o patrimônio das famílias, continuando a limitar o consumo, mesmo com sinais pontuais de melhora, como o leve avanço das vendas no varejo e a queda da taxa de desemprego entre jovens para 15,6%. No setor imobiliário, a deflação persistente há quatro anos e meio, quando estourou uma bolha com quebradeira de construtoras e incorporadoras, gerou uma crise que afetou a confiança dos consumidores. Esse cenário de fragilidade interna contrasta com o desempenho externo.
Fim da deflação e impulso externo
O deflator do PIB tornou-se positivo pela primeira vez desde o início de 2023, indicando o fim de três anos de deflação. A China se beneficia de uma conjuntura externa favorável, que impulsiona exportações e ajuda a mitigar pressões deflacionárias. No entanto, a dependência crescente das vendas externas, a crise imobiliária, o consumo fraco e as tensões geopolíticas compõem um quadro de vulnerabilidade. Para tentar reequilibrar a economia, o governo lançou seu primeiro plano quinquenal voltado ao consumo, com meta de alcançar quase US$ 9 trilhões em vendas anuais no varejo até 2030.
A economia chinesa vive, portanto, um momento de duas velocidades: de um lado, o PIB desacelera e o mercado interno sofre com a crise imobiliária; de outro, o fim da deflação e as exportações aquecidas trazem algum alívio. O desafio do governo será sustentar o crescimento sem depender excessivamente do setor externo, enquanto tenta reativar o consumo doméstico.
