O ex-presidente Michel Temer declarou, na noite de estreia do documentário ‘963 Dias’, que não se preocupa com sua impopularidade, apesar de os índices terem batido recordes negativos durante seu governo. A afirmação foi feita em evento no Rio de Janeiro, onde o filme foi exibido pela primeira vez. Dirigido por Bruno Barreto, o documentário aborda os 963 dias do mandato de Temer, desde o impeachment de Dilma Rousseff até a greve dos caminhoneiros.
Impeachment e crise política
O documentário relembra momentos marcantes como o impeachment de Dilma Rousseff, o ‘Joesley Day’ e a paralisação dos caminhoneiros. Um flashback com depoimentos de personagens políticos mostra como Temer foi escolhido candidato a vice-presidente de Dilma em 2010, na composição entre o então PMDB (agora MDB) e o PT. Temer admitiu que o ex-presidente Lula não queria ele como vice. Segundo o ex-presidente, Lula pediu três nomes e o PMDB enviou Michel, Temer e Lulha.
A crise entre Dilma e Temer escalou até 2 de outubro de 2015, quando o PMDB lançou o documento ‘Uma Ponte para o Futuro’. Dilma tomou o documento como de oposição, aprofundando o rompimento. O documentário tenta tirar do presidente a pecha de golpista com opiniões jurídicas sobre o impeachment dadas por Luciana Temer, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes.
Greve dos caminhoneiros e intervenção no Rio
O filme mostra duas outras crises enfrentadas no governo Temer: a intervenção militar no Rio de Janeiro, no dia 664, e a greve dos caminhoneiros, iniciada em 31 de maio de 2018, dia 738 do período do ex-presidente no poder. A greve dos caminhoneiros é tratada na obra como o embrião da manipulação de informação do mundo virtual que chegou à política e ajudou a eleger Jair Bolsonaro. O ministro do STF Alexandre de Moraes afirmou no documentário: ‘A greve foi o começo do ambiente eleitoral que se consolidou depois’. Moraes assistiu à projeção ao lado de Temer e se recusou a comentar sobre a obra ao ser questionado pela reportagem do Money Times na saída.
Reação de Temer e lançamento
O ex-presidente considerou ‘963 Dias’ como um ‘documentário extraordinário’. Temer disse que a ligação com Bruno Barreto ‘foi uma das melhores coisas da vida, porque eu não imaginava que alguém conseguisse retratar com tanta fidelidade e sem que fosse chapa branca’. O documentário está previsto para ser lançado em setembro deste ano, às vésperas do primeiro turno da eleição presidencial. A obra é tratada como uma ‘recuperação histórica’ por Temer. Segundo os realizadores, a obra não tem capacidade para influenciar a votação.
Fonte
- www.moneytimes.com.br
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