Aliados propõem missão de desminagem no Estreito de Ormuz
Na segunda-feira, à margem da cúpula do G7, aliados dos Estados Unidos apresentaram uma proposta de desminagem do Estreito de Ormuz. A iniciativa, liderada por França, Reino Unido, Alemanha, Japão e Itália — com adesão posterior do Canadá —, prevê uma missão estritamente defensiva para garantir a segurança da navegação comercial.
O presidente Donald Trump, no entanto, mostrou-se hesitante. Em conversa com o presidente francês Emmanuel Macron, Trump disse não ver necessidade de muita ajuda, pois o estreito estará aberto graças a um acordo preliminar com o Irã.
Detalhes da proposta defensiva
O comunicado conjunto, divulgado pelos cinco países do G7 e posteriormente pelo Canadá, descreve uma missão estritamente defensiva e independente. O objetivo é tranquilizar o transporte marítimo comercial e realizar operações de desminagem.
Navios especializados procurariam eliminar perigos subaquáticos na via marítima. Esses artefatos podem ser propelidos por foguete, ligados por cabos ou permanecer no fundo do mar, ativados por som, movimento ou luz. A proposta surge em meio a tensões na região, onde já foram encontradas minas, segundo Trump, que afirmou que continuam os esforços para localizar outras.
Posição de Trump: hesitação e otimismo
Donald Trump mostrou-se hesitante em relação à proposta. Em conversa com Macron, o presidente americano disse que não vê necessidade de muita ajuda porque o Estreito de Ormuz vai estar aberto, graças ao acordo preliminar com o Irã. Trump garantiu que o estreito já está parcialmente aberto.
No entanto, ele também comentou: “Não me parece má ideia termos por aqui um ou dois navios de alguns países. França seria um excelente país para o fazer.” A declaração revela uma postura ambígua, entre o ceticismo e a abertura a uma contribuição limitada.
França lidera com forças na região
A França já possui meios navais na região. O porta-aviões de propulsão nuclear Charles de Gaulle encontra-se no Mar Arábico, após ter sido enviado por Macron primeiro para o Mediterrâneo oriental, no início de março, e depois através do Canal do Suez.
Macron disse a Trump que caças franceses poderiam participar já a partir de terça-feira em missões de observação sobre esta via marítima crucial. Após as missões de observação, seguiriam no prazo de 48 horas fragatas e, em dois a três dias, o porta-aviões. Segundo Macron, outros países com forças destacadas na região que poderiam ajudar rapidamente incluem os Países Baixos, Itália e o Reino Unido.
Disponibilidade condicionada a pedido
Macron condicionou a efetivação da ajuda a uma solicitação. Ele afirmou: “Claro que tudo isto pressupõe que haja vontade e um pedido nesse sentido.” E completou: “Talvez não seja desejado e talvez não seja necessário. Mas, em qualquer caso, mostra a nossa disponibilidade para ajudar.”
A fala do presidente francês indica que a missão depende de um sinal claro dos Estados Unidos ou de outros atores regionais. Enquanto isso, a Royal Navy britânica recebeu jornalistas a bordo do navio RFA Lyme Bay, que aguardava, ao largo de Gibraltar, para ser destacado, sinalizando que os aliados mantêm-se prontos para agir.
A proposta de desminagem do Estreito de Ormuz reflete a preocupação dos aliados com a segurança da navegação em uma das rotas mais estratégicas do mundo. A hesitação de Trump, porém, deixa o futuro da missão incerto, dependendo de negociações diplomáticas e da evolução do acordo com o Irã.
