Eleitores de dezenas de condados e cidades dos Estados Unidos terão em breve a chance de ajudar a aprovar medidas que podem desacelerar o desenvolvimento de data centers. A votação ocorre nas eleições de meio de mandato nesta terça-feira (3), quando mais de 40 medidas relacionadas ao tema estarão em jogo, segundo análise da Bloomberg com base em dados do Ballotpedia. A crescente oposição local reflete uma mudança de percepção sobre essas instalações, antes vistas como motores econômicos.
Uma pesquisa da Universidade Quinnipiac realizada em setembro mostrou que 72% dos eleitores seriam contrários à instalação de um novo data center em sua comunidade, ante 65% quando a pergunta foi feita em um levantamento de março. O aumento da rejeição sugere que as preocupações com consumo de energia, uso de água e impacto ambiental estão ganhando força. Em alguns casos, porém, ativistas conseguiram impedir a construção de data centers.
Ao menos 45 projetos, avaliados em US$ 68 bilhões, foram afetados pela oposição local no segundo trimestre, segundo relatório da organização Data Center Watch.
Comunidades buscam frear expansão de data centers
Um desses lugares é Piqua, onde a Meta tenta construir um data center. Os eleitores também decidirão se devem destituir o prefeito e dois integrantes da comissão municipal, que apoiaram a construção de infraestrutura de IA na cidade de aproximadamente 20 mil habitantes. A disputa local ilustra o embate entre promessas de desenvolvimento econômico e receios da população. A fonte não detalhou o valor do investimento da Meta em Piqua.
Pillmore disse que vê com bons olhos o envolvimento da população nas questões de desenvolvimento local, mas considera o projeto uma rara fonte de investimento de longo prazo para a pequena cidade. Ele estima que a receita municipal possa aumentar em até 75%. A declaração foi dada em meio ao debate sobre transparência e participação comunitária nas decisões.
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Medidas exigem transparência e referendos
Ele redigiu uma emenda à carta municipal que defende mais transparência e participação da comunidade nas decisões, depois que o prefeito de Harwood assinou um acordo de confidencialidade com a Applied Digital, que está construindo uma instalação nas proximidades. Os moradores levantaram uma série de preocupações quando os planos para o gigantesco projeto de 280 megawatts se tornaram públicos, em setembro de 2025, mas a construção começou menos de um mês depois.
“Uma decisão de US$ 3 bilhões que afeta uma comunidade de 800 pessoas não deveria ter sido tomada em três semanas”, disse Swartz em entrevista.
O objetivo de seu Artigo X, como a medida é chamada, é exigir a divulgação de informações, uma análise independente e a participação pública em grandes projetos. Medidas semelhantes podem dar mais influência a moradores de outras localidades. O eleitorado de Grove City, em Ohio, poderá alterar a carta municipal para exigir um referendo sobre empreendimentos que ultrapassem determinados limites de tamanho e de uso de água e energia.
Votações definem regras para novos projetos
Se aprovada, uma iniciativa submetida à votação em Janesville, no Wisconsin, dará aos cidadãos o direito de votar sobre projetos com custos superiores a US$ 450 milhões em uma área há muito tempo abandonada onde funcionava uma fábrica da General Motors. Outro grupo de medidas pode restringir os locais onde data centers são construídos. Em Wilmington, Ohio, os eleitores vão se manifestar sobre o rezoneamento de terrenos ao redor de um data center proposto pela Amazon.
Uma situação em Boulder City, Nevada, porém, mostra os limites dessas iniciativas. No início deste ano, ativistas conseguiram barrar uma proposta de data center de US$ 3 bilhões que seria construído em uma reserva de tartarugas pertencente à cidade. Mas, pouco depois, a empresa responsável pelo projeto obteve aprovação para construí-lo em uma área vizinha, controlada pelo Escritório de Gestão de Terras do governo federal.
Fonte
- investnews.com.br
- afetados (www.datacenterwatch.org)
