Data centers de inteligência artificial: de galpões a siderúrgicas
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Você não contrata um data center por metro quadrado, mas por megawatts. Essa frase, comum no setor, resume a transformação dessas instalações: antes meros galpões que abrigavam servidores, hoje se assemelham a siderúrgicas em escala e consumo de energia. O motor dessa mudança é a inteligência artificial (IA), que exige poder computacional sem precedentes.

O que mudou com a inteligência artificial

Nada requer tanto poder computacional quanto os modelos de IA. Uma GPU H100 da Nvidia, por exemplo, consome até 700 watts de potência — sete vezes mais que um processador comum. Esse salto de consumo se reflete nos racks dos data centers.

Segundo Marcos Siqueira, head de estratégia da Ascenty, um rack que exigia 3 kW em um data center corporativo foi para 15 kW com a nuvem e deve chegar a 100 kW com a IA.

Um único rack de 100 kW ligado 24 horas consome energia suficiente para carregar 50 carros elétricos. Um data center de grande porte, com 150 MW, tem 1.500 racks de 100 kW. A Agência Internacional de Energia já compara os data centers de IA a grandes consumidores industriais, como fundições de alumínio.

Estrutura e segurança nos data centers

Data centers demandam estruturas gigantescas de energia e ventilação. O calor gerado por um servidor é proporcional à energia que ele consome, exigindo sistemas de refrigeração robustos. O SP1, da Equinix, no centro de São Paulo, tem enormes grades de ventilação na fachada. Um dos clientes da Equinix, a B3, opera a alguns quarteirões do SP1.

Quem aluga capacidade em um data center compra a garantia de que os servidores funcionarão 24 horas por dia, sete dias por semana. Para isso, tudo tem um plano B e, às vezes, um plano C. A redundância é total: geradores, baterias, conexões de fibra óptica e sistemas de refrigeração duplicados.

Investimentos no Brasil

Esta é a terceira reportagem do InvestNews sobre o Brasil na corrida global por data centers. Em maio, a Ascenty anunciou R$ 6 bilhões em novos data centers voltados à inteligência artificial no Brasil. O plano prevê quatro unidades na região de Campinas, com 150 MW de capacidade total.

A Ascenty é a maior operadora de data centers na América Latina. Seu complexo em Vinhedo (SP) tem 46 mil m² de área total, comportando 7,3 mil racks.

A transformação dos data centers reflete a nova era da computação: o que antes era um galpão agora é uma usina de processamento, tão intensiva em energia quanto as indústrias pesadas. Com a IA, essa tendência só deve se acelerar.

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