Dasa aposta em inteligência artificial para turbinar diagnósticos por imagem

A Dasa, um dos maiores grupos de medicina diagnóstica do Brasil, firmou uma parceria estratégica com a GE HealthCare para renovar seu parque de máquinas de ressonância magnética. O grande diferencial é a incorporação de inteligência artificial (IA) aos equipamentos, o que promete elevar a precisão dos exames e a eficiência operacional.

O movimento ocorre em um setor de saúde marcado por contrastes: enquanto alguns grupos enfrentam dificuldades financeiras, outros – como a própria Dasa, Rede D’Or, Fleury e Porto – investem pesado em tecnologia. A Dasa se posiciona claramente no segundo grupo.

Parceria inédita no país

Segundo João Paulo de Souza, Chefe Executivo da GE HealthCare Brasil, trata-se de um contrato inédito no país para o grupo global com sede em Chicago (EUA). “Não houve nenhum grupo privado que tenha feito um investimento dessa magnitude”, afirmou o executivo. A parceria contempla os pilares clínico, operacional e financeiro, com perspectiva de médio e longo prazos.

As novas máquinas permitem atualizações futuras sem troca de hardware, por um período que pode chegar a 20 anos – o que, segundo a empresa, “protege o investimento”. Além disso, enquanto a troca de uma máquina convencional costuma levar dois meses, a atualização dos novos equipamentos acontece em duas a três semanas. Isso reduz o número de exames que deixam de ser realizados durante o processo.

Ampliação de capacidade e precisão

“É um movimento de atualização de máquinas de ressonância magnética que a Dasa não faz há pelo menos uma década, até mais tempo. Ele amplia a nossa capacidade de atendimento em 25%”, disse Alexandre Valim, diretor de Operações Médicas da Dasa, em entrevista ao InvestNews. O executivo, que também é médico, acrescentou que o investimento se concretiza no curto prazo (adoção em até dois anos), mas o impacto de geração de valor ocorre ao longo do tempo.

Duas das novas máquinas são consideradas mais avançadas, com campo magnético de 3.0 Tesla (versus 1.5 Tesla nas demais). Isso se traduz em diagnósticos com maior precisão para doenças complexas em oncologia e neurologia, por exemplo. Esses dois equipamentos serão instalados em uma unidade do Delboni Salomão Zoppi no bairro do Paraíso, em São Paulo, e em uma no laboratório da Alta do Barra Shopping, no Rio de Janeiro.

Redução de custos operacionais

As novas máquinas também vão representar redução de custos de insumos, como no caso do gás hélio para a sua operação: o impacto estimado é da ordem de R$ 500 mil por máquina trocada ao ano. A Dasa não detalhou o valor total do investimento, mas informou que, no ano passado, o capex caixa ficou em R$ 290 milhões.

No começo do ano, a Dasa já havia anunciado outro investimento relevante: a renovação e modernização de 18 Núcleos Técnico-Operacionais (NTOs), unidades responsáveis pelo processamento de exames – cerca de 450 milhões a cada ano.

Concorrência também investe

Além da Dasa, o Fleury tem reforçado os investimentos em tecnologia e digitalização, com iniciativas que ampliam o agendamento 100% virtual e melhoram a experiência do paciente, ao mesmo tempo que reduzem custos. Em março, o Fleury chegou a se juntar com a Porto nas negociações com a Oncoclínicas para formar uma nova companhia com a rede de clínicas oncológicas, que teria até R$ 2,5 bilhões em dívidas e passivos. As conversas, no entanto, não prosperaram e foram encerradas.

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