O tratamento do câncer historicamente se concentrou em eliminar a doença, medindo o sucesso por taxas de resposta e sobrevida. No entanto, especialistas do IBCC Oncologia defendem que o cuidado oncológico deve ampliar seu foco para além da resposta clínica, incorporando dimensões humanas como qualidade de vida, acolhimento e suporte emocional. A discussão ganha relevância em um contexto de avanços tecnológicos e terapias cada vez mais complexas, que exigem uma abordagem integrada e centrada no paciente.
“Quando falamos em sucesso do paciente, não falamos apenas dos resultados clínicos. Destacamos principalmente a humanização, a qualidade de vida e o acolhimento”, afirma Roberto Luiz da Silva, médico hematologista e responsável técnico do Transplante de Medula Óssea do IBCC Oncologia. A declaração sintetiza uma mudança de paradigma: o objetivo não é apenas curar, mas garantir que o paciente atravesse o tratamento de forma digna e com o menor sofrimento possível.
Alta complexidade exige um cuidado integrado
O câncer é uma doença de alta complexidade, que frequentemente demanda múltiplas modalidades terapêuticas, como cirurgia, quimioterapia, radioterapia, imunoterapia e transplante de medula óssea. Cada uma dessas intervenções traz riscos e efeitos colaterais que afetam diferentes sistemas do corpo. Por isso, o cuidado não pode ser fragmentado; ele exige uma visão integral do paciente.
Na prática, a interdisciplinaridade começa antes mesmo do tratamento. A incorporação de novas tecnologias, por exemplo, exige protocolos, treinamento e preparo das equipes para que diferentes profissionais estejam alinhados diante de uma mesma jornada. Isso significa que médicos, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas e assistentes sociais devem atuar de forma coordenada, compartilhando informações e decisões.
“Quando pensamos em novas terapias, precisamos pensar também na equipe multiprofissional e no treinamento de todos. A incorporação de tecnologia é necessária, mas exige uma equipe engajada para que o paciente receba o melhor cuidado possível”, reforça Alessandra. A fala destaca que a inovação só é efetiva quando acompanhada de capacitação e colaboração entre os profissionais.
Quando diferentes áreas cuidam do mesmo paciente
Mais do que reunir diferentes especialidades, a proposta é fazer com que elas compartilhem informações, decisões e responsabilidades em torno de um mesmo objetivo: o paciente. Esse modelo, conhecido como cuidado interdisciplinar, evita que o paciente receba orientações conflitantes e garante que todas as dimensões de sua saúde sejam consideradas.
Por exemplo, um paciente submetido a quimioterapia pode apresentar náuseas, fadiga, perda de apetite e alterações emocionais. Enquanto o oncologista ajusta a medicação, o nutricionista pode propor estratégias para manter o peso, o fisioterapeuta pode indicar exercícios leves para combater a fadiga, e o psicólogo pode oferecer suporte para lidar com a ansiedade. Essa atuação conjunta melhora a adesão ao tratamento e a qualidade de vida.
Mas o sucesso também passa por dimensões que não aparecem nos exames. Longos períodos de internação, afastamento da rotina, medo e insegurança afetam o paciente e seus familiares e podem interferir na forma como ele atravessa o tratamento. Por isso, o cuidado deve incluir atenção à saúde mental, ao bem-estar social e às necessidades práticas do dia a dia.
O sucesso do paciente vai além da cura
Nesse sentido, o conceito de sucesso do paciente propõe uma pergunta que vai além de “o tratamento funcionou?”. A questão passa a ser também como essa pessoa atravessou o tratamento, quais resultados alcançou e em que condições consegue seguir sua vida durante e depois dele. Essa perspectiva reconhece que a experiência do paciente é tão importante quanto o desfecho clínico.
“O Sucesso do Paciente tem a ver com o todo. A cura é o principal objetivo, mas o caminho para chegar até ela também importa. O paciente chega com suas crenças, seus hábitos e seus valores, e precisamos levar tudo isso em consideração”, afirma Gilmar Rodrigues, psicólogo do IBCC Oncologia. A fala reforça que o tratamento deve ser personalizado, respeitando a individualidade de cada pessoa.
Para operacionalizar esse conceito, as instituições de saúde precisam investir em estruturas que promovam a comunicação entre as equipes, como reuniões multidisciplinares, prontuários eletrônicos integrados e protocolos assistenciais compartilhados. Além disso, é fundamental capacitar os profissionais para uma escuta ativa e empática, capaz de identificar as necessidades não ditas dos pacientes.
Em resumo, o cuidado oncológico humanizado não é um luxo, mas uma necessidade clínica. Ao ampliar o foco para além da resposta da doença, os profissionais de saúde podem melhorar não apenas os desfechos médicos, mas também a experiência e a dignidade de quem enfrenta o câncer. The post Cuidado oncológico deve ampliar o foco para além da resposta da doença appeared first on Medicina S/A.
