A CSN anunciou nesta quarta-feira (2) a saída de Benjamin Steinbruch do comando executivo da empresa após 24 anos. A partir desta quinta-feira (3), o cargo será ocupado por Fábio Schvartsman, ex-presidente da Vale. A mudança marca o fim de uma era na companhia siderúrgica e o início de um novo capítulo sob liderança externa à família controladora.
A decisão foi comunicada oficialmente pela companhia, que destacou a transição como parte de um processo de profissionalização da gestão. Steinbruch, que controla a CSN e integra seu conselho desde 1993, continuará à frente da estratégia da companhia. O empresário foi eleito presidente do colegiado, função que já havia exercido entre 1995 e 2023.
Sucessão adiada por anos
A escolha de um executivo de fora da família destrava uma sucessão que Steinbruch adiava havia anos. O InvestNews mostrou, em junho de 2025, que Steinbruch resistia a dividir decisões e que a administração da CSN continuava fortemente concentrada em sua figura. A passagem de bastão para Schvartsman muda essa estrutura no dia a dia, mas será parcial: Steinbruch permanece como controlador e volta à presidência do conselho, de onde continuará responsável pelas decisões estratégicas do grupo.
Essa configuração indica que, embora o novo CEO tenha autonomia operacional, as grandes diretrizes seguirão sob influência direta do controlador. A transição, portanto, não representa um afastamento total de Steinbruch, mas uma redistribuição de papéis na alta gestão.
Missão imediata: reduzir dívida
A missão imediata de Schvartsman será conduzir o processo de deslavancagem da empresa, segundo entrevista concedida por Steinbruch ao site NeoFeed. Na verdade, a missão dada pelo controlador da CSN é uma cobrança que ele próprio recebe há anos de seus credores. O principal passo para alcançar esse objetivo é a venda da CSN Cimentos, negócio que, segundo Steinbruch, pode ser concluído até novembro.
Depois da operação de cimento, a CSN pretende vender participações minoritárias nos segmentos de infraestrutura e energia, negociar unidades independentes mantidas no exterior e buscar um sócio para a divisão siderúrgica. Essas medidas visam gerar caixa e reduzir o endividamento, que se tornou uma das principais preocupações da companhia.
Dívida elevada pressiona decisões
A pressão para colocar o plano de desalavancagem em prática aumentou nos últimos trimestres. Ao final de junho, a dívida líquida da CSN estava em R$ 42,1 bilhões e correspondia a 3,49 vezes o resultado operacional (Ebitda) acumulado em 12 meses. Esse nível de alavancagem é considerado elevado para o setor e tem exigido respostas rápidas da administração.
O novo CEO assume com o desafio de equilibrar as finanças sem comprometer a operação. A venda de ativos, como a CSN Cimentos, é vista como essencial para aliviar o balanço e recuperar a confiança do mercado. A expectativa é que Schvartsman, com sua experiência em grandes companhias, consiga acelerar essas negociações.
Perfil do novo CEO
Fábio Schvartsman traz um histórico de passagens por empresas de grande porte, incluindo a presidência da Vale. Sua chegada à CSN representa uma aposta em gestão profissional para enfrentar os desafios financeiros. A fonte não detalhou os termos do contrato ou a remuneração do executivo.
A nomeação de um profissional externo à família Steinbruch sinaliza uma mudança de postura em relação à governança. Ainda assim, a presença de Benjamin Steinbruch no conselho garante que o controle estratégico permaneça com o grupo familiar. Resta observar como essa dinâmica influenciará as decisões do dia a dia.
Próximos passos da companhia
Além da venda da CSN Cimentos, a CSN planeja uma série de desinvestimentos para reduzir sua dívida. A negociação de participações minoritárias em infraestrutura e energia, bem como a busca por um sócio na siderurgia, fazem parte do plano. Essas ações devem ocorrer de forma gradual, conforme as condições de mercado.
O sucesso dessas iniciativas dependerá da capacidade de Schvartsman em executar as transações dentro dos prazos esperados. A meta de concluir a venda da CSN Cimentos até novembro é um primeiro teste para o novo comando. O mercado acompanhará de perto os desdobramentos dessa transição.
Fonte
- investnews.com.br
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- anunciou (www.rad.cvm.gov.br)
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