Crise na aviação russa: tráfego cai e substituição de importações falha
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A crise dos combustíveis está paralisando progressivamente o país, e o setor aéreo russo sente os efeitos de forma aguda. Para os passageiros, a crise se traduz em horas de espera pelo embarque e adiamento de voos de conexão. Uma parte dos russos opta por trocar o avião pelo trem ou pelo automóvel, enquanto a frota aérea encolhe e a substituição de importações prometida pelo governo falha em atingir as metas.

Combustível e manutenção afetam voos

No tradicional pico de verão, a limitação da frota se sente de forma ainda mais aguda. Após as sanções impostas na sequência da invasão em grande escala da Ucrânia, as companhias aéreas russas continuam a operar as aeronaves disponíveis ao máximo. No entanto, a substituição rápida dos aparelhos que precisam ser enviados para manutenção se tornou permanentemente difícil.

Desde 2022, a Rússia adquire componentes de aviação por meio de canais de importação paralela, contornando as sanções e pagando preços 40% a 100% acima dos de mercado. Algumas peças podem já apresentar desgaste, o que aumenta ainda mais os riscos. A frota também se reduz por “canibalização” de aeronaves: as companhias usam alguns aviões como fonte de peças sobressalentes para manter outros em operação.

Promessa de substituição integral não se concretiza

Vladimir Putin afirmou que “a Rússia foi obrigada, mas conseguiu substituir integralmente todas as importações”. Segundo o Serviço Federal de Estatística, a produção da indústria aeronáutica russa em abril deste ano cresceu 117%, mais que duplicando o valor registrado um ano antes. Esse crescimento se deve sobretudo ao segmento militar da indústria aeronáutica, em particular à produção de drones de que a Rússia necessita para prosseguir a guerra na Ucrânia.

Até 2030-2035, a Rússia previa substituir quase um terço da sua frota de aviões ocidentais. Nos últimos três anos, a Rússia conseguiu trocar apenas 13 dos 120 aparelhos previstos para esse período. O ritmo lento evidencia o abismo entre o discurso oficial e a realidade operacional.

Governo planeja venda de ações da Aeroflot

A agência federal Rosimushchestvo se prepara para vender 23,76% das ações da transportadora aérea nacional Aeroflot. O Estado pretende manter o controle da empresa: atualmente detém uma participação de 73,8%. Em 2022, o Estado subscreveu uma emissão adicional de ações da Aeroflot, utilizando 52 bilhões de rublos do Fundo Nacional de Bem-Estar (FNB). No final da operação, a participação pública aumentou de 57,34% para 73,8%.

Destinos internacionais diminuem

No verão, é possível sair da Rússia em voos diretos para cerca de três dezenas de países, menos do que no período de inverno. No inverno, a Rússia tinha ligações aéreas diretas com 43 países, mas, até junho, vários destinos desapareceram por motivos sazonais, pelo impacto dos custos de combustível e de fatores geopolíticos, bem como pelas limitações ligadas à crise no Oriente Médio. A redução de rotas reflete as múltiplas pressões sobre o setor.

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