Os republicanos dos EUA abrem, esta quarta-feira, em Dallas, uma convenção extraordinária para as eleições intercalares, apostando que colocar Donald Trump no centro da campanha poderá salvar um partido confrontado com previsões eleitorais sombrias, apesar da profunda impopularidade do Presidente. O evento, realizado no American Airlines Center, reunirá mais de 100 membros da Câmara dos Representantes e candidatos, com mais de 50 intervenções ou apresentações agendadas para cada noite.
Trump, cuja taxa de aprovação se situava em apenas 33% nas sondagens mais recentes, deverá intervir nas duas noites da convenção. O ex-presidente fará o discurso principal de quarta-feira e regressará para o encerramento de quinta-feira, depois da intervenção do vice-presidente JD Vance. Membros do Governo, líderes do Congresso e candidatos em disputas muito acompanhadas para a Câmara e o Senado também integram o programa.
Trump pede voto como se estivesse no boletim
“Portanto, o que eu quero mesmo que façam é que finjam, por favor, que o meu nome está nos boletins de voto”, disse Trump recentemente num comício na Carolina do Sul. “Apareçam e votem. É muito importante”. A declaração resume a estratégia central da convenção: mobilizar eleitores que são pessoalmente leais ao ex-presidente, mesmo sem ele concorrer diretamente.
O desafio passa por mobilizar eleitores que lhe são pessoalmente leais, sem afastar ainda mais os independentes, já descontentes com a presidência, num contexto de problemas de inflação, preços da gasolina acima dos 4 dólares (3,40 euros) por galão e guerra em curso com o Irão. A fonte não detalhou como os organizadores pretendem equilibrar essas demandas.
Previsões sombrias para os republicanos
A Decision Desk HQ projeta uma vitória democrata na Câmara dos Representantes, por 230 lugares contra 205, e um Senado a concluir 51-49 a seu favor, revendo a anterior previsão de 50-50, à medida que o panorama continua a piorar para os republicanos. Esses números reforçam a urgência do partido em encontrar uma forma de reverter a tendência.
“Quando se está nos baixos ou médios 30%, isso está tradicionalmente associado a umas eleições intercalares muito negativas para o seu partido”, disse Matthew Green, professor de Ciência Política na Universidade Católica da América, sobre as taxas de aprovação do Presidente, de 80 anos. A fonte não detalhou a metodologia das sondagens citadas.
Especialista vê lógica, mas ceticismo
“Muitos apoiantes de Trump só votam quando ele está nos boletins de voto”, afirmou Green à agência noticiosa AFP. “Não são eleitores republicanos ferrenhos; são eleitores ferrenhos de Trump. Por isso, nesse sentido, faz algum sentido destacar Trump, na esperança de levar essas pessoas a votar em novembro.”
Mas Green mostrou-se cético quanto à possibilidade de pedir a esses apoiantes que imaginem Trump nos boletins de voto ser suficiente para ultrapassar a sua fragilidade mais ampla. A fonte não detalhou quais seriam as alternativas viáveis para o partido.
Convenção inédita no calendário partidário
O encontro é a primeira convenção nacional republicana realizada especificamente para umas eleições intercalares, embora os democratas tenham realizado reuniões semelhantes nas décadas de 1970 e 1980. Não serão nomeados candidatos, nem está prevista qualquer atividade partidária formal.
Em vez disso, os organizadores montaram aquilo que equivale a um comício televisivo de duas noites, promovendo o historial de Trump e os candidatos republicanos. A fonte não detalhou o custo do evento ou o número exato de participantes esperados.
Agenda focada em conquistas e ataques
Os republicanos tencionam destacar os cortes de impostos, a aplicação da legislação de imigração, a indústria e os preços dos medicamentos sujeitos a receita, ao mesmo tempo que retratam os democratas como perigosamente afastados para a esquerda. Alguns republicanos, contudo, esperam em privado que Trump se mantenha fiel a esse guião, em vez de voltar às queixas pessoais e a temas fora de mensagem que costumam dominar as suas aparições.
A fonte não detalhou como os organizadores pretendem garantir que Trump siga o roteiro planejado.
Ausências estratégicas entre candidatos
Nem todos vão marcar presença. Muitos legisladores envolvidos em disputas renhidas decidiram que, a menos de dois meses do dia das eleições, o tempo é melhor aproveitado a fazer campanha nos respetivos círculos eleitorais. Green afirmou que os republicanos vulneráveis têm dois motivos para manter a distância: a impopularidade de Trump e o custo de perder dias preciosos nos seus círculos eleitorais.
“Se for um republicano candidato num círculo indeciso, provavelmente quererá ficar o mais distante possível de Trump”, disse. O presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, reconheceu o dilema, afirmando que alguns membros precisam de permanecer nos seus estados por se tratar de um “momento crítico”, imediatamente antes de o voto antecipado acelerar em todo o país.
