Construção em Marte com gelatina e fermento vira aposta
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Em vez de tijolos e cimento, astronautas poderão levar gelatina e fermento para Marte. A proposta, apresentada por pesquisadores da Universidade de Hong Kong, sugere que ingredientes leves e uma impressora 3D bastariam para erguer estruturas no planeta vermelho, evitando o transporte de materiais pesados da Terra. A ideia foi detalhada em artigo publicado em 29 de setembro de 2026.

Por isso Ning Liu e colegas da Universidade de Hong Kong estão acalentando uma ideia que eles acreditam ser mais prática: Levar da Terra um mínimo de ingredientes leves e construir as casas marcianas usando uma impressora 3D. E o segredo está na receita, uma combinação de rochas marcianas devidamente trituradas com ingredientes terrestres que devem caber na mala dos astronautas: Gelatina e fermento.

Material vivo quase tão forte quanto concreto

Depois de seco e endurecido, esse material de construção “vivo” fica quase tão resistente quanto o concreto, além do que ele pode ser decomposto, reciclado e reutilizado em novas construções. A resistência à compressão ficou entre 10 e 12 megapascais, comparável à de um concreto de baixa resistência.

“Este material é forte o suficiente para construir um prédio de um ou dois andares na Terra, cuja gravidade é três vezes maior que a de Marte,” garante o professor Jishen Qiu. “Portanto, provavelmente seria possível construir facilmente um prédio de vários andares em Marte com esse material.” A declaração reforça o potencial do composto para aplicações extraterrestres.

Impressão 3D sob frio e baixa pressão

Em laboratório, sob -30 °C e 0,01 atmosfera, o processo de impressão 3D funcionou bem. As condições simulam o ambiente marciano, com temperaturas congelantes e atmosfera rarefeita. O sucesso nesse cenário indica que a técnica poderia ser adaptada para uso real no planeta.

Para criar o material imprimível, a equipe ajustou com precisão a mistura projetada para substituir areia e cimento. Este último foi substituído por uma mistura de gelatina e um tipo especial de levedura, formando uma espécie de cola. A gelatina une os ingredientes e fornece um local para o crescimento das células, enquanto a areia confere massa e estrutura.

Leveduras com proteínas adesivas de mexilhões

Para isso, a equipe desenvolveu leveduras revestidas com proteínas altamente adesivas, incluindo aquelas que os mexilhões usam para se fixarem às rochas. Essa modificação genética permite que as células atuem como aglutinante natural, dispensando cimento convencional. O resultado é um material coeso e moldável, pronto para impressão 3D.

Por enquanto, as estruturas se limitam a pequenas cúpulas do tamanho de rolhas de vinho, com 45 mm de altura e 30 mm de largura. Mas o material mostrou-se firme, com uma resistência à compressão entre 10 e 12 megapascais, comparável à de um concreto de baixa resistência. Ainda há desafios para uma construção real em Marte.

Alternativa de baixo consumo energético

Muitas propostas para a construção de cidades extraterrestres envolvem o aquecimento e a fusão de rochas marcianas ou poeira lunar para transformá-las em tijolos e vigas. Mas isso requer uma quantidade substancial de energia. O novo material, por outro lado, utiliza processos biológicos que demandam menos recursos, tornando-o potencialmente mais viável para missões espaciais.

Mas ainda há desafios: A equipe não sabe se as leveduras vão sobreviver às condições reais de Marte. Será necessário mandá-las para lá para descobrir. A incerteza sobre a viabilidade biológica fora da Terra é um ponto crítico que exige testes futuros.

Próximos passos da pesquisa

O estudo foi publicado na revista Chem Circularity, com o título “Engineered living building material for low-energy construction on Mars”. Os autores incluem Ning Liu, Wenwei Huang, Shing Chi Lam, Qikun Yi, Chaoyu Dou, Yihong Tang, Shaofeng Qin, Yiwei Weng, Fei Sun e Jishen Qiu. O artigo está disponível sob o DOI 10.1016/j.checir.2026.100120.

A pesquisa representa um passo inicial, mas os cientistas reconhecem que ainda há um longo caminho antes de construir casas em Marte. A fonte não detalhou os próximos experimentos planejados, mas a necessidade de testar as leveduras em ambiente marciano real é evidente. Enquanto isso, o material vivo continua a ser aprimorado em laboratório.

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