Colômbia encerra diálogo de paz com três grupos armados
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O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, confirmou neste domingo o encerramento das conversações com três grupos armados ilegais iniciadas durante o governo do seu antecessor, Gustavo Petro. A decisão foi tomada por considerar que essas organizações não demonstraram uma vontade real de abandonar a violência. “Tomei esta decisão porque não existe uma vontade real e verificável de paz, muito menos de reinserção na vida civil ou de submissão séria à Justiça que justifique mantê-las”, afirmou De la Espriella durante um discurso.

Fim das mesas por falta de resultados

O governo já havia revogado na sexta-feira as nomeações dos seus representantes e o reconhecimento dos delegados da outra parte em três processos ligados à política de “paz total” promovida por Petro. Com isso, as mesas de diálogo perdem formalmente seus interlocutores oficiais. A medida representa uma ruptura definitiva com a estratégia de negociação ampla adotada anteriormente. O presidente classificou as negociações herdadas como “a capitulação do exercício da soberania a favor do narcoterrorismo”.

De la Espriella reforçou que não aceitará que a palavra paz seja usada como desculpa para a impunidade. “Não vou permitir que a palavra paz continue a ser usada como desculpa para a impunidade, nem que uma mesa de diálogo se converta em refúgio para quem persiste na violência e na criminalidade. Acabam as mesas sem resultados e benefícios, sem que haja contrapartidas reais”, declarou. A fala sinaliza uma postura de endurecimento frente aos grupos armados.

Vídeo: @ABDELAESPRIELLA via X/Twitter

Grupos afetados pela decisão

A medida abrange as negociações com duas dissidências das antigas FARC: o Estado-Maior de Blocos e Frente (EMBF) e a Coordenadora Nacional Exército Bolivariano (CNEB). Põe também termo ao processo com as Autodefensas Conquistadoras da Sierra Nevada (ACSN), grupo de origem paramilitar. Esses três atores armados vinham participando de espaços de diálogo desde o governo Petro. Agora, o Estado colombiano retira qualquer reconhecimento político a essas estruturas.

O EMBF integrou o Estado-Maior Central (EMC), uma das principais dissidências surgidas após o acordo de paz com as FARC, mas afastou-se dessa estrutura em 2024 devido a divergências sobre a continuidade das conversações com o Executivo de Petro. Essa cisão interna já indicava instabilidade nos processos. A CNEB, por seu lado, nasceu de uma cisão da Segunda Marquetalia e é composta pela Coordenadora Guerrilheira do Pacífico e pelos Comandos de Fronteira. As ACSN, por sua vez, têm raízes paramilitares e atuam na região da Sierra Nevada.

Postura de endurecimento desde a posse

Desde que assumiu a presidência, a 7 de agosto, De la Espriella tem apostado em endurecer a resposta do Estado perante os grupos armados ilegais. A revogação das nomeações e o fim das mesas são passos concretos nessa direção. O chefe de Estado deixou claro que não manterá processos sem contrapartidas verificáveis. A decisão também responde a críticas de setores que viam as negociações como concessões sem retorno.

A fala do presidente aponta para uma reorientação da política de segurança. Ao classificar as mesas como “capitulação”, ele rejeita o modelo de diálogo amplo e simultâneo com múltiplos grupos. A nova abordagem prioriza a submissão à Justiça e a reinserção efetiva, não apenas acordos formais. A fonte não detalhou se haverá novas ofertas de negociação sob outras condições.

Impacto na política de paz total

O encerramento desses três processos representa um golpe na política de “paz total” de Gustavo Petro. A estratégia buscava dialogar com todos os grupos armados simultaneamente, incluindo dissidências e paramilitares. Com a decisão, o governo atual sinaliza que apenas aceitará negociações com organizações que demonstrem compromisso real com o desarmamento e a legalidade. A fonte não detalhou o futuro dos demais processos de paz em curso.

Especialistas ouvidos pela imprensa local apontam que a medida pode aumentar a pressão militar sobre os grupos afetados. Contudo, a fonte não detalhou planos operacionais. O presidente reforçou que a soberania do Estado não será negociada. A decisão também envia um recado a outros grupos armados que ainda mantêm mesas com o governo.

Reações e próximos passos

Até o momento, não há declarações públicas dos grupos afetados sobre o encerramento das conversações. A fonte não detalhou se haverá canais humanitários ou mecanismos de transição. O governo também não informou se apresentará novas condições para um eventual reinício do diálogo. A expectativa é de que as forças de segurança intensifiquem operações contra essas estruturas.

De la Espriella afirmou que a paz não pode ser “refúgio para quem persiste na violência”. A frase resume a nova orientação: diálogo apenas com resultados verificáveis. A comunidade internacional acompanha o desenrolar da situação, mas a fonte não detalhou reações de outros países ou organismos. O foco, por ora, está na implementação da decisão presidencial.

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