Colômbia: novo presidente ordena deportação de imigrantes
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O novo presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, anunciou uma ofensiva contra milhares de migrantes que vivem no país sem autorização de residência. Assim sendo, em uma reunião de segurança realizada em Barranquilla, ele determinou que os procedimentos de deportação comecem ainda esta semana. O objetivo declarado é reduzir a criminalidade e enfrentar grupos criminosos. Dessa forma, a medida representa uma virada radical na política migratória colombiana, que por anos priorizou o acolhimento a estrangeiros, sobretudo venezuelanos.

Ofensiva contra migrantes e deportações

De la Espriella, de extrema-direita, afirmou que vai introduzir alterações significativas na política de imigração do país. Além disso, segundo ele, as novas medidas irão reduzir a criminalidade e combater grupos criminosos. Portanto, a ordem presidencial estabelece uma prioridade na atuação:

  • Primeiro: deportar os migrantes que cometeram delitos.
  • Em seguida: deportar os que não regularizaram a situação.

“Não aceitarei quaisquer imigrantes ilegais, venham de onde vierem”, declarou o presidente no vídeo divulgado no X, enquanto presidia a reunião. Consequentemente, “A ordem aos serviços de imigração é clara: primeiro, os que estão a cometer crimes; segundo, os que não regularizaram a sua situação e que terão de ser deportados em devido tempo”, acrescentou.

Prioridade aos colombianos e retórica nacionalista

Na reunião de domingo, o novo presidente pareceu recuperar a retórica “America first” do presidente norte-americano Donald Trump, a quem está estreitamente ligado. Por exemplo, “Colombianos primeiro, colombianos em segundo, colombianos em terceiro, que isso fique claro para todos”, disse De la Espriella. Dessa forma, a declaração sinaliza uma abordagem que coloca os interesses nacionais à frente da acolhida a estrangeiros.

Essa postura pode ter efeitos diretos sobre a população venezuelana, que constitui a maior comunidade migrante no país. No entanto, a retórica nacionalista contrasta com a política de acolhimento adotada por governos anteriores. Portanto, a mudança de tom reflete uma nova orientação na gestão migratória colombiana.

Venezuelanos são os mais afetados

A ofensiva afetará sobretudo venezuelanos que, na última década, fugiram ao regime repressivo e à crise econômica no país. Além disso, no total, cerca de um quinto da população da Venezuela deixou o país nesse período, segundo dados citados na reunião. Consequentemente, a dimensão da comunidade venezuelana na Colômbia é expressiva.

De acordo com as Nações Unidas, em agosto viviam na Colômbia cerca de 2,8 milhões de venezuelanos, dos quais mais de 527 mil estão em situação irregular. Dessa forma, esses números mostram a dimensão do desafio enfrentado pelo novo governo. Ademais, a decisão terá um impacto significativo sobre essa população. Ainda que a prioridade sejam os casos criminais, a ordem de deportação pode atingir também aqueles que apenas não regularizaram a situação.

Ruptura com a política anterior de acolhimento

A decisão de De la Espriella representa uma mudança significativa face à abordagem anterior da Colômbia à migração. Assim sendo, o país procurou durante anos acolher e proteger os migrantes venezuelanos, oferecendo-lhes um caminho para a residência permanente. Por exemplo, em julho, o serviço nacional de migração da Colômbia indicou ter concedido autorizações de residência temporária a cerca de 2,3 milhões de venezuelanos em situação irregular no país.

A medida anterior visava ajudar migrantes e refugiados a obter estatuto legal, facilitando ao mesmo tempo o acesso aos cuidados de saúde e ao emprego formal. Além disso, ela fazia parte de um programa introduzido em 2021 pelo então presidente Iván Duque, no auge da crise migratória da Venezuela. Contudo, agora, com a nova ordem presidencial, esse cenário pode mudar drasticamente.

Um novo rumo na acolhida

A ordem presidencial marca um contraste com o programa de 2021, que regularizou milhões de venezuelanos. Portanto, a deportação começa nesta semana, segundo De la Espriella. Assim sendo, o país, que por anos foi exemplo de acolhimento, agora adota uma postura mais restritiva em relação aos migrantes. Em resumo, a comunidade venezuelana, que soma milhões de pessoas, será a mais atingida.

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