Credores e acionistas da Braskem estão mais próximos de um acordo para reestruturar cerca de US$ 11 bilhões em dívidas, segundo pessoas a par do assunto. As negociações, que ocorrem no âmbito do processo de recuperação extrajudicial, ganharam tração nas últimas semanas. Ainda assim, permanecem diferenças significativas entre as propostas, e um acordo não está garantido, disseram as fontes.
Propostas divergem em US$ 1 bilhão
A injeção inicial de capital pelos acionistas e a conversão de dívida em ações pelos credores somariam cerca de US$ 4 bilhões, segundo a proposta dos credores, e cerca de US$ 5 bilhões, segundo a proposta da Braskem, mostram os documentos. Essa diferença de US$ 1 bilhão é o principal ponto de divergência, mas as partes já estiveram mais distantes.
Esse é o ponto em que as duas partes estiveram mais próximas de um acordo durante as negociações no processo de recuperação extrajudicial, disse uma das pessoas, que pediu para não ter o nome revelado, pois as conversas são confidenciais.
A aproximação reflete o esforço de ambos os lados para evitar um impasse prolongado. Ainda assim, as conversas continuam e muitos detalhes ainda precisam ser definidos, segundo as pessoas. Embora ambas as partes tenham até o dia 22 de novembro para chegar a um acordo, a expectativa é que isso ocorra antes, afirmaram as pessoas.
Mecanismos adicionais de capitalização
Caso seja necessário atingir determinadas métricas, os acionistas principais realizariam aporte adicional de até US$ 500 milhões, e os credores contribuiriam com até US$ 1 bilhão por meio de conversão de dívida em junho de 2029. Esse mecanismo contingente visa dar flexibilidade à empresa caso o desempenho operacional fique aquém do esperado. Os credores também propuseram uma conversão imediata de dívida em ações no valor de US$ 1,85 bilhão, com um compromisso adicional de US$ 450 milhões para junho de 2029, caso seja necessário.
Esses valores adicionais mostram que as partes buscam um equilíbrio entre o alívio imediato da dívida e a preservação de caixa para a companhia. A proposta da Braskem, por sua vez, não detalha publicamente os mecanismos contingentes, mas a fonte não detalhou essa diferença. O foco das negociações agora está em alinhar os gatilhos e as condições para esses aportes futuros.
Controle acionário permanece com Petrobras e IG4
Na proposta da companhia, a Petrobras e o IG4 Capital Group manteriam o controle e a gestão da Braskem. Esse ponto é considerado essencial para a atual administração, que vê a manutenção do comando como fundamental para a execução da estratégia de longo prazo. Os credores, por sua vez, não apresentaram publicamente uma proposta que altere o controle, mas as discussões sobre governança ainda estão em andamento.
O IG4 não quis comentar. A Petrobras não respondeu de imediato a mensagens solicitando um posicionamento. A Braskem disse que segue em negociações com credores no seu processo de recuperação extrajudicial e optou por não fazer mais comentários. A ausência de declarações oficiais reforça o caráter sigiloso das tratativas.
Próximos passos e riscos
Apesar do progresso nas conversas, ainda persistem diferenças significativas entre as propostas, e um acordo não está garantido, disseram as pessoas. Entre os pontos em aberto estão a definição exata das métricas que acionariam os aportes adicionais e a estrutura de governança pós-acordo. As conversas continuam e muitos detalhes ainda precisam ser definidos, segundo as pessoas.
Embora ambas as partes tenham até o dia 22 de novembro para chegar a um acordo, a expectativa é que isso ocorra antes, afirmaram as pessoas. Um acordo antecipado reduziria a incerteza para credores, acionistas e funcionários. Caso contrário, a Braskem pode enfrentar um prolongamento do processo de recuperação extrajudicial, com impactos ainda não mensurados.
Fonte
- investnews.com.br
- conforme documentos sobre as negociações divulgados (www.rad.cvm.gov.br)
