Queda acentuada no pregão
As ações da Boa Safra (SOJA3) recuavam 10,66%, cotadas a R$ 6,87, por volta de 11h02 desta quarta-feira (25). O movimento de baixa ocorre após a divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2025.
A empresa reportou um prejuízo de R$ 8,4 milhões no período. A forte desvalorização reflete a reação negativa do mercado aos números apresentados, que ficaram aquém das expectativas.
Análises dos bancos de investimento
Itaú BBA: resultados abaixo do esperado
O Itaú BBA manteve sua recomendação neutra para a ação, com preço-alvo de R$ 10. A instituição destacou que os resultados vieram abaixo do esperado.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ficou pressionado e as margens atingiram o menor nível para um quarto trimestre. Segundo o banco, o desempenho foi atribuído a:
- Preços mais fracos
- Excesso de capacidade no setor
- Problemas de qualidade de sementes
- Mix menos favorável
Bradesco BBI: classificação de trimestre fraco
O Bradesco BBI classificou o trimestre como bastante fraco, mesmo diante de expectativas já baixas. A instituição chamou atenção para:
- Tombo da rentabilidade
- Ebitda muito abaixo do projetado
- Forte contração de margem
- Prejuízo líquido no período
O banco destacou preços mais fracos, maior descarte de sementes, custos comerciais elevados e aumento da alavancagem como fatores que contribuíram para o cenário.
Diante disso, o Bradesco BBI rebaixou sua recomendação para a ação ontem (24) de compra para neutro e cortou o preço-alvo de R$ 14 para R$ 9.
BTG Pactual: momento de recalibração
O BTG Pactual manteve postura neutra, com preço-alvo de R$ 12. A instituição avaliou o momento como um “passo para trás” para a Boa Safra.
O banco reconhece que a empresa avançou em receita e participação de mercado, mas com custos maiores do que o esperado, o que derrubou a lucratividade.
Além disso, o BTG Pactual ressalta que a queda de margens para níveis historicamente baixos reforça a necessidade de recalibrar a operação, com foco em recuperar rentabilidade.
XP Investimentos: pressão no curto prazo
Em contraste, a XP Investimentos mantém recomendação de compra e preço-alvo de R$ 11,80. A instituição reconhece, no entanto, que os números foram fracos e devem pressionar as ações no curto prazo.
Essa visão sugere que, apesar do desempenho decepcionante, há otimismo em relação ao potencial de recuperação no médio e longo prazos.
Diagnóstico convergente dos analistas
As análises convergem para um diagnóstico claro: a Boa Safra segue ganhando escala e participação, mas enfrenta dificuldades para transformar esse crescimento em rentabilidade.
Os bancos apontam que a expansão da empresa não tem sido acompanhada pela eficiência operacional necessária. Em outras palavras, aumentar o tamanho do negócio não tem se traduzido em melhores resultados financeiros.
Esse descompasso entre crescimento e lucratividade é o cerne do problema identificado pelos analistas.
Desafios pela frente para a Boa Safra
Os relatórios destacam que a companhia precisa enfrentar uma série de obstáculos para melhorar sua performance. Entre eles, estão:
- Necessidade de controlar custos
- Melhorar a qualidade das sementes
- Ajustar o mix de produtos
Além disso, o cenário de preços mais fracos e excesso de capacidade no setor exige estratégias adaptativas. A recuperação da rentabilidade dependerá, portanto, de uma gestão mais eficiente e de respostas ágeis às condições de mercado.
