Biomarcadores avançam imunoterapia no câncer de pulmão
Crédito: medicinasa.com.br
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Pesquisadores brasileiros identificaram biomarcadores que podem prever a eficácia da imunoterapia em pacientes com câncer de pulmão. A descoberta, liderada pelo imunologista Kenneth Gollob, abre caminho para um tratamento mais direcionado e econômico. O estudo foi conduzido em laboratório e ainda não tem data para aplicação clínica.

Como os biomarcadores funcionam

Os biomarcadores são proteínas presentes nas células tumorais ou no sangue que indicam a probabilidade de resposta ao tratamento. No caso da imunoterapia, eles ajudam a identificar quais pacientes têm maior chance de se beneficiar dos medicamentos. A equipe de Gollob demonstrou que a inativação de duas dessas proteínas foi capaz de reativar parcialmente os linfócitos T de pacientes que não respondiam ao tratamento. Essa reativação sugere que os biomarcadores podem ser usados para selecionar pacientes com maior potencial de resposta.

O teste usado para identificar esses marcadores, a citometria de fluxo, já é utilizado em laboratórios de análises clínicas para realizar o diagnóstico da leucemia, por exemplo. Isso significa que ele é acessível. “São testes bem tranquilos para laboratórios de análises clínicas que trabalham com diagnóstico de leucemia. É até mais fácil do que o diagnóstico do perfil da leucemia”, avalia Gollob. A familiaridade dos laboratórios com a técnica reduz barreiras para a implementação em larga escala.

Impacto no custo do tratamento

A imunoterapia é uma das abordagens mais promissoras contra o câncer, mas seu alto custo limita o acesso no Sistema Único de Saúde (SUS). “Hoje esses medicamentos não estão disponíveis amplamente no SUS por causa do custo. Então, como só 20% a 50% dos pacientes vão responder aos fármacos, se a gente tem um biomarcador que indica que uma pessoa tem 98% de chance de responder, podemos direcionar a terapia para eles. Com isso, já baixamos o custo significativamente”, diz o pesquisador.

A seleção prévia dos pacientes evitaria gastos com tratamentos ineficazes.

Além da economia direta, a abordagem pode reduzir o tempo de espera por terapias alternativas. Pacientes que não responderiam à imunoterapia poderiam ser encaminhados mais cedo para outras opções, como quimioterapia ou radioterapia. Essa otimização do fluxo de tratamento é um benefício indireto relevante para o sistema de saúde.

Combinação de terapias como alternativa

Para os casos em que a imunoterapia isolada não funciona, o pesquisador propõe a combinação de mais de um tipo de imunoterapia ou de imunoterapia com quimioterapia ou radioterapia. Essa estratégia pode aumentar a taxa de resposta, mas também eleva os custos e os efeitos colaterais. A identificação prévia de biomarcadores ajudaria a decidir quais pacientes realmente precisam da combinação.

A equipe também demonstrou, in vitro, que a inativação de duas dessas proteínas foi capaz de reativar parcialmente os linfócitos T de pacientes que não respondiam ao tratamento. A combinação de medicamentos utilizados nesse ensaio já havia sido verificada em testes clínicos antes, sem resultados promissores, mas nenhum tipo de seleção de pacientes com biomarcadores havia sido realizado. Isso sugere que a falha anterior pode ter sido causada pela inclusão de pacientes não responsivos.

Próximos passos da pesquisa

Gollob acredita que novos ensaios clínicos usando os biomarcadores podem levar a resultados diferentes. E já tem planos para realizá-los. “Tenho conversado com algumas empresas farmacêuticas porque o custo do estudo clínico fica muito alto e, se houver empresas interessadas, elas podem doar o medicamento”, conta. A parceria com a indústria é essencial para viabilizar a pesquisa clínica.

O pesquisador não detalhou prazos para o início dos ensaios, mas destacou a importância de validar os biomarcadores em um número maior de pacientes. A expectativa é que, com a seleção adequada, a imunoterapia se torne mais eficaz e acessível. Enquanto isso, a citometria de fluxo continua sendo uma ferramenta promissora para o diagnóstico e acompanhamento de diversos tipos de câncer.

A descoberta representa um avanço significativo na medicina personalizada, mas ainda requer validação clínica. Os próximos estudos devem confirmar se os biomarcadores são realmente capazes de prever a resposta em diferentes populações. Se os resultados forem positivos, o tratamento do câncer de pulmão poderá se tornar mais preciso e menos oneroso.

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