Azerbaijão pondera abandonar Conselho da Europa, afirma Aliyev
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Ameaça de saída do Conselho da Europa

O Azerbaijão pondera abandonar o Conselho da Europa, afirmou o presidente Ilham Aliyev nesta segunda-feira. Na intervenção de abertura do quarto Fórum Global dos Media de Shusha, Aliyev afirmou que Baku está a ponderar “não apenas a suspensão ou o congelamento da nossa adesão”. “Estamos de forma inequívoca a considerar sair dessa estrutura”, sublinhou Aliyev.

Segundo o presidente, a direção da organização, que conta 46 membros, pediu que fosse encontrada uma solução que permita a permanência do Azerbaijão. “O secretário-geral do Conselho da Europa contactou-me e pediu-nos que não o fizéssemos e que encontrássemos uma forma de melhorar a situação”, disse.

Ponto de viragem na relação

Aliyev indicou que o ponto de viragem ocorreu após a suspensão, em 2024, dos direitos de voto da delegação do Azerbaijão na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa (PACE na sigla em inglês). Recordando que chefiou a delegação do Azerbaijão ao PACE em 2001, Aliyev descreveu o deteriorar das relações como “lamentável” e afirmou que Baku não tem interesse em aprofundar as tensões.

O presidente estabeleceu uma condição para o retorno: “Têm de repor os direitos de voto da nossa delegação. Depois disso, a delegação do Azerbaijão regressará”, declarou. “Não demos quaisquer passos errados. Tomaram uma decisão injusta. Por isso, têm de recuar e reconhecer os seus erros. Em muitas ocasiões, exprimi a minha preocupação.”

Relações com a União Europeia

No discurso, Aliyev falou também das recentes visitas da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, do presidente do Conselho Europeu, António Costa, e da chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, descrevendo como significativo o nível recente de envolvimento entre Baku e Bruxelas.

Conflito no Médio Oriente

O presidente do Azerbaijão abordou ainda o conflito no Médio Oriente, afirmando que o país espera que a mais recente escalada seja de curta duração. “Espero que esta atual erupção de conflito não dure muito tempo”, disse Aliyev.

Com base na própria experiência do Azerbaijão, afirmou que uma paz duradoura “tem de ser justa e equitativa e assente no direito internacional, e não nas ambições e na agenda de alguém”. “A minha mensagem aos nossos vizinhos é que ajam com responsabilidade, que parem o mais depressa possível e procurem normalizar as relações, em vez de agravar este processo”, concluiu Aliyev, apelando à contenção em toda a região.

Fórum Global dos Media

O dia de abertura incluiu também sessões sobre diplomacia mediática, debate público e cobertura jornalística em sociedades pós-conflito.

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