Avanços em genômica para doenças sem diagnóstico
Crédito: medicinasa.com.br
Crédito: <a href="https://medicinasa.com.br/genetica-nao-explica-doenca/" rel="nofollow noopener noreferrer" target="_blank">medicinasa.com.br</a>

Pacientes com doenças raras frequentemente percorrem uma longa jornada em busca de um diagnóstico. O desafio surge quando a alteração responsável pela doença está na estrutura do genoma: uma sequência que mudou de lugar, foi invertida, duplicada ou deletada, por exemplo. Algumas dessas alterações ficam fora do alcance dos métodos convencionais. É nesse contexto que novas tecnologias de análise genômica têm ganhado espaço.

Uma dessas inovações é o mapeamento óptico do genoma, conhecido pela sigla OGM (do inglês Optical Genome Mapping). A ferramenta permite visualizar grandes rearranjos estruturais no DNA com alta resolução, complementando as técnicas já existentes. Dessa forma, pode auxiliar na elucidação de casos que permanecem sem explicação mesmo após exames tradicionais.

Uma nova ferramenta para investigar doenças raras

O OGM tem sido apontado como um recurso promissor para a investigação de doenças genéticas raras. Diferentemente de métodos como o sequenciamento de nova geração, que identifica variações pontuais, o OGM é capaz de detectar alterações estruturais maiores e mais complexas. Isso inclui inversões, translocações, duplicações e deleções que podem passar despercebidas em outras abordagens.

Segundo especialistas, a tecnologia oferece uma visão mais abrangente do genoma, funcionando como um complemento aos exames moleculares tradicionais. Em muitos casos, pacientes que já haviam esgotado as opções diagnósticas encontraram novas possibilidades com o uso do OGM. A ferramenta, portanto, amplia o alcance da investigação genética.

Há cerca de dois anos, durante minha participação no American Society of Human Genetics (ASHG), acompanhei diferentes apresentações sobre o potencial do OGM na investigação de doenças genéticas, especialmente em pacientes que permaneciam há anos sem uma resposta diagnóstica. O relato é de Luciana Rodrigues, Superintendente de Operações e Negócios da Dasa Genômica, que destaca a relevância clínica da tecnologia.

A experiência internacional reforça a tendência de adoção do OGM em laboratórios de genética ao redor do mundo. A expectativa é que, com o avanço da validação clínica, a ferramenta se torne cada vez mais acessível e integrada aos fluxos diagnósticos. Enquanto isso, pesquisas continuam a explorar suas aplicações em diferentes contextos.

Aplicação também na reprodução assistida

Além do diagnóstico de doenças raras, o OGM também tem aplicação na investigação genética de casais que enfrentam infertilidade, perdas gestacionais recorrentes ou histórico de alterações cromossômicas sem causa esclarecida. Nesses casos, a identificação de rearranjos estruturais pode orientar decisões reprodutivas e aconselhamento genético.

A ferramenta permite analisar o genoma dos parceiros em busca de alterações equilibradas, como translocações, que podem estar associadas a falhas de implantação ou abortos de repetição. Ao detectar essas variações, os profissionais de saúde podem propor estratégias mais adequadas, como o diagnóstico genético pré-implantacional. Dessa forma, o OGM contribui para um cuidado mais personalizado na reprodução assistida.

Luciana Rodrigues ressalta que a aplicação do OGM nesse contexto representa um avanço significativo, pois muitas vezes os métodos convencionais não conseguem identificar a causa genética subjacente. A possibilidade de investigar o genoma de forma mais ampla traz novas perspectivas para casais que buscam entender suas dificuldades reprodutivas. A integração do OGM aos protocolos de investigação pode, assim, melhorar os desfechos clínicos.

Embora ainda haja necessidade de mais estudos para consolidar seu uso rotineiro, os resultados preliminares são encorajadores. A comunidade científica acompanha com interesse a evolução dessa tecnologia e sua incorporação nos laboratórios de genética. O avanço contínuo nessa área promete transformar a prática clínica nos próximos anos.

A fonte não detalhou números específicos sobre a adoção do OGM no Brasil, mas a tendência é de crescimento gradual. A Dasa Genômica, por exemplo, tem investido na implementação da ferramenta para ampliar sua capacidade diagnóstica. A expectativa é que mais pacientes tenham acesso a essa tecnologia em breve.

Em resumo, o mapeamento óptico do genoma representa um passo importante na busca por respostas para doenças sem diagnóstico e na investigação de causas genéticas de infertilidade. Com sua capacidade de detectar alterações estruturais complexas, o OGM complementa as ferramentas existentes e abre novas possibilidades para pacientes e profissionais de saúde.

Fonte

By

0 0 votos
Classificação
guest

Resolva a soma:
+ 77 = 87


0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários