Uma nova forma de criar efeitos sonoros manipulando a interação das ondas sonoras promete abrir novas possibilidades na execução e na produção musical. Trata-se de um conceito inovador para efeitos sonoros, uma espécie de alto-falante rotativo cuja sonoridade situa-se entre os efeitos eletrônicos/digitais e os efeitos mecânicos. A pesquisa foi divulgada em 22 de setembro de 2026 pelo site Inovação Tecnológica, com base em artigo publicado no Journal of the Audio Engineering Society.
Nicholas Wolstenholme e Fernando Pérez-Cota, da Universidade de Nottingham, no Reino Unido, criaram agora um novo alto-falante rotativo de estado sólido que troca as partes móveis da caixa Leslie original por uma matriz circular de alto-falantes. Com isto, o sinal sonoro é realocado eletronicamente pela matriz – em vez de mecanicamente – para simular o movimento. A modulação de fase, nesse caso, não ocorre em um sinal eletrônico reproduzido em um único alto-falante, mas nas ondas sonoras físicas que se aproximam e envolvem o ouvinte.
Como funciona o alto-falante rotativo de estado sólido
O princípio por trás da invenção é substituir o movimento físico de um alto-falante giratório por uma distribuição eletrônica do som em uma matriz circular. Em vez de girar mecanicamente, o sistema alterna a emissão sonora entre os diversos alto-falantes dispostos em círculo, criando a ilusão de rotação. Dessa forma, as ondas sonoras físicas são moduladas diretamente no espaço, e não apenas o sinal elétrico que as origina.
Essa abordagem elimina a necessidade de motores, correias e outras partes móveis que tornavam o Leslie original pesado, caro e sujeito a desgaste. Além disso, a matriz circular permite um controle mais preciso sobre a direção e a velocidade aparente do som, abrindo caminho para efeitos que antes eram impossíveis de se obter com sistemas mecânicos. A fonte não detalhou as especificações técnicas da matriz, como número de alto-falantes ou potência.
Os inventores garantem que isso torna o efeito mais orgânico e com maior profundidade. A transição entre os alto-falantes é suave o suficiente para que o ouvinte perceba um movimento contínuo, sem os artefatos típicos de simulações digitais convencionais.
Diferenças em relação ao Leslie original
O alto-falante Leslie, criado na década de 1940, tornou-se um ícone do som de órgãos Hammond e guitarras. Seu funcionamento baseava-se em um alto-falante giratório dentro de uma caixa, o que produzia um efeito de modulação característico, com variações de amplitude e fase. No entanto, o sistema mecânico era volumoso, frágil e de manutenção complexa.
O novo alto-falante rotativo de estado sólido representa, portanto, uma tentativa de alcançar o caráter do Leslie original sem a inviabilidade dos seus elementos mecânicos – é a primeira inovação significativa em efeitos sonoros desde o advento da modelagem digital, na década de 90. A modelagem digital, embora prática, muitas vezes carece da espacialidade e da interação física que o sistema mecânico proporcionava.
Segundo os pesquisadores, a modulação de fase no novo sistema ocorre nas ondas sonoras físicas que se aproximam e envolvem o ouvinte, e não em um sinal eletrônico reproduzido em um único alto-falante. Isso resulta em um efeito mais imersivo, que se aproxima da experiência acústica real, mas com a flexibilidade e a confiabilidade de um sistema eletrônico.
Impacto na produção musical
A possibilidade de criar efeitos sonoros que combinam características acústicas e digitais pode interessar a músicos, produtores e engenheiros de áudio. Em estúdios, a eliminação de partes móveis reduz ruídos indesejados e facilita a integração com equipamentos modernos. Em apresentações ao vivo, o sistema pode oferecer maior durabilidade e consistência sonora, sem a necessidade de transportar equipamentos pesados.
Além disso, o controle eletrônico da matriz circular permite programar padrões de movimento que seriam impossíveis com um alto-falante físico giratório, como rotações em velocidades variáveis ou trajetórias não circulares. A fonte não detalhou se o protótipo já está disponível comercialmente ou se há planos de licenciamento da tecnologia.
“A modulação sonora para aplicações musicais é, ou acústico-mecânica, como o Leslie original, ou eletrônico-digital; não há meio-termo. Este trabalho representa a primeira tentativa de diluir essa fronteira”, disse Fernando. A declaração resume o objetivo central do projeto: criar uma ponte entre dois mundos que, até agora, permaneciam separados.
Próximos passos e expectativas
O artigo foi publicado no Journal of the Audio Engineering Society, com o título “The Solid-State Rotary Speaker” e DOI 10.17743/jaes.2026.0285. A publicação em uma revista especializada indica que o trabalho passou por revisão por pares, o que confere credibilidade aos resultados apresentados. No entanto, os autores não detalharam testes de audição comparativos ou métricas objetivas de desempenho.
É um paradigma completamente novo em efeitos sonoros e modulação de som, garantem os dois inventores. A afirmação sugere que a pesquisa pode abrir novas linhas de investigação, não apenas na música, mas também em áreas como realidade virtual, instalações sonoras e design acústico. A fonte não detalhou se há colaborações com a indústria ou financiamento para desenvolvimento futuro.
A comunidade científica e os profissionais de áudio agora aguardam demonstrações práticas e avaliações independentes do sistema. Se os resultados se confirmarem, o alto-falante rotativo de estado sólido poderá se tornar uma ferramenta valiosa para quem busca efeitos sonoros com caráter orgânico e controle digital.
Fonte
- www.inovacaotecnologica.com.br
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