Uma década de crises e prejuízos bilionários
A Braskem enfrenta uma década paralisada por duas crises profundas: o escândalo envolvendo a Odebrecht e o desastre ambiental em Alagoas. Esses eventos deixaram marcas financeiras severas.
O ano de 2025 foi extremamente difícil para a petroquímica. A empresa registrou um prejuízo líquido de R$ 9,9 bilhões no acumulado do ano.
Apenas no quarto trimestre de 2025, as perdas chegaram a R$ 10,3 bilhões. Esses resultados negativos pressionam ainda mais a estrutura financeira já fragilizada.
Patrimônio negativo e dívida em níveis críticos
O balanço da Braskem revela um cenário preocupante. O patrimônio líquido da companhia está negativo em R$ 16,5 bilhões.
Isso significa que as dívidas superam em muito o valor dos ativos. A situação indica uma insolvência técnica.
Alavancagem corporativa elevada
A alavancagem corporativa atingiu 14,74 vezes o Ebitda. Esse patamar é considerado extremamente elevado pelo mercado.
Dívida bruta e líquida
A dívida bruta totaliza R$ 51,8 bilhões. Já a dívida líquida, que desconta o caixa disponível, está em R$ 41,2 bilhões.
Esses números mostram que a empresa carrega um fardo financeiro pesadíssimo.
Consumo de caixa e incerteza sobre o futuro
Um dos indicadores mais alarmantes é o consumo recorrente de caixa. Esse valor somou R$ 5,9 bilhões em 2025.
Esse montante representa o dinheiro que a empresa queimou em suas operações ao longo do ano. A situação pressiona ainda mais a liquidez.
Liquidez disponível
A Braskem mantinha uma liquidez de US$ 2,1 bilhões ao final de dezembro de 2025. Desse total, US$ 1 bilhão veio do saque de uma linha de crédito stand-by.
Esse saque foi realizado em outubro e tem vencimento em dezembro de 2026.
Parecer da KPMG
A consultoria KPMG registrou em seu parecer uma incerteza relevante. Essa incerteza está relacionada à continuidade operacional da Braskem.
A dúvida levanta questões sobre a capacidade da empresa de seguir em funcionamento no longo prazo.
Reestruturação da dívida é inevitável
Diante desse quadro, o diretor financeiro da Braskem, Felipe Jens, afirmou que não há discussão sobre a necessidade de fazer uma reestruturação. A operação é considerada urgente.
Medidas possíveis
- Desconto na dívida
- Conversão de dívida em ações
- Venda de ativos
Essas medidas buscam aliviar a pressão financeira e garantir a sobrevivência da empresa.
O tempo para concluir esse processo, no entanto, está se esgotando rapidamente. A magnitude dos passivos e a deterioração dos resultados aceleram a urgência.
A reestruturação se torna, portanto, um caminho obrigatório para tentar reequilibrar as contas.
Mudança no controle acionário
Em meio à crise, a estrutura de controle da Braskem passou por uma transformação significativa. Em dezembro, a gestora IG4 Capital fechou um acordo com cinco bancos credores da Novonor.
O acordo permitiu que a IG4 assumisse o controle da petroquímica. A operação envolveu a transferência de cerca de R$ 20 bilhões em créditos garantidos por ações da Braskem para um fundo ligado à IG4.
Nova estrutura de controle
- IG4 Capital: 50,1% do capital votante
- Petrobras: divide o controle com a IG4
- Novonor: fica com cerca de 4% em ações preferenciais, sem direito a voto
Essa mudança representa uma nova fase na governança da empresa.
Problemas na subsidiária mexicana
As dificuldades não se limitam à matriz brasileira. A Braskem Idesa, subsidiária no México, também enfrenta sérios problemas financeiros.
A empresa deixou de pagar juros de seus bonds em novembro de 2025 e em fevereiro de 2026. Esse é um claro sinal de estresse.
Situação financeira da Braskem Idesa
- Dívida bruta: US$ 2,25 bilhões
- Caixa disponível: US$ 35 milhões
Esse desequilíbrio é preocupante. A situação na filial mexicana adiciona mais uma camada de complexidade ao desafio de reestruturar todo o grupo.
O legado do desastre ambiental
O desastre ambiental em Maceió continua a pesar nas contas da Braskem. O episódio resultou em R$ 18 bilhões em provisões acumuladas.
Esse passivo está relacionado a indenizações e reparos. Ele contribuiu significativamente para o patrimônio líquido negativo e para a deterioração financeira geral.
O impacto desse evento ainda é sentido anos depois. A crise ambiental gerou consequências financeiras duradouras, afetando também a reputação e as operações da empresa.