VBHC: equilíbrio entre operadoras e prestadores
Crédito: www.saudebusiness.com
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O modelo predominante e seus desafios

No cenário atual da saúde brasileira, o modelo de pagamento por serviço prestado (fee-for-service) é a realidade predominante. Esse sistema tem sido criticado por incentivar o aumento do volume de procedimentos, em vez de priorizar a qualidade do cuidado oferecido aos pacientes.

Essa dinâmica pode gerar uma pressão por mais exames e intervenções, nem sempre alinhadas com os melhores desfechos clínicos. Por outro lado, muitas operadoras de saúde mantêm uma visão de curto prazo, focada quase exclusivamente na redução de custos imediatos.

Diante desse contexto, surge a necessidade de um novo paradigma que equilibre os interesses de todos os envolvidos. A transição para modelos mais eficientes se mostra urgente para o futuro do setor.

A ascensão dos cuidados baseados em valor (VBHC)

Como resposta a esses desafios, o modelo de Cuidados Baseados em Valor (VBHC) ganha espaço como uma proposta estratégica. De acordo com informações do Ibravs, mais de uma centena de projetos estão sendo elaborados para a aplicação do sistema no país.

Na visão da entidade, grandes operadoras, hospitais e outros stakeholders do setor de saúde já reconhecem essa prática como uma ação essencial para o futuro da gestão em saúde. A adoção do VBHC representa, portanto, um movimento crescente no mercado.

Relevância internacional do VBHC

A relevância do modelo ultrapassa fronteiras. Um artigo publicado na revista científica “Frontiers in Public Health” mostra que os cuidados de saúde baseados no valor surgem como uma forma de resolver o debate sobre a externalização dos cuidados de saúde na Europa.

A publicação sugere que o VBHC pode ser a chave para superar a dicotomia entre gestão pública e privada, promovendo uma abordagem integrada. Essa perspectiva internacional reforça o potencial transformador da iniciativa.

O que muda com o novo paradigma

O modelo VBHC propõe uma transformação profunda na forma como o cuidado é planejado, entregue e avaliado. Em primeiro lugar, ele coloca o paciente no centro das decisões, deslocando o foco do prestador para as necessidades reais de quem recebe o tratamento.

Em segundo lugar, prioriza resultados clínicos, experiência do paciente e eficiência de custos, criando um equilíbrio entre qualidade e sustentabilidade financeira. Essa mudança exige uma reestruturação completa dos processos assistenciais.

Pagamento por cuidado integral

A proposta é pagar pelo cuidado integral, e não por cada item consumido isoladamente. Essa lógica incentiva a coordenação entre diferentes profissionais e serviços, buscando o melhor desfecho para a saúde do indivíduo.

A implementação, no entanto, requer ferramentas robustas de mensuração e acompanhamento. A fonte não detalhou quais ferramentas específicas são utilizadas.

Exemplos práticos em instituições de ponta

Em São Paulo, dois exemplos de escritórios de valor em instituições renomadas focados na área de oncologia ilustram a aplicação do conceito: A.C Camargo e Santa Catarina.

Desde 2021, o A.C.Camargo mantém um Escritório de Valor dedicado à mensuração de desfechos, estruturação de linhas de cuidado e desenvolvimento de modelos assistenciais sustentáveis.

Estratégias de mensuração no A.C. Camargo

A proposta do Escritório de Valor do A.C.Camargo é, justamente, pagar pelo cuidado, e não por cada item consumido. Essa abordagem representa um contraste direto com o modelo fee-for-service.

Como parte da estratégia de mensuração, no A.C Camargo analisam também:

  • Aderência a bundles
  • Performance em contratos de risk sharing
  • Monitoramento de previsibilidade do episódio assistencial

Contratos com bonificação por performance

Segundo o diretor comercial do A.C. Camargo, outra abordagem de destaque da instituição são os contratos com prestadores que prevêem bonificação por performance de kits cirúrgicos. A bonificação ocorre caso a meta de reoperação igual ou inferior a 8% seja atingida.

Essas medidas concretas demonstram como a teoria se traduz em prática.

Os motivadores por trás da implementação

Segundo Ielpo, a implementação aconteceu impulsionada por três motivadores principais:

  1. Colocar no centro da estratégia os desfechos clínicos que realmente importam para o paciente, alinhado às melhores práticas internacionais
  2. Aumentar eficiência e sustentabilidade, considerando a complexidade do cuidado oncológico
  3. Compromisso institucional com excelência e inovação, integrando custo, desfecho e experiência para orientar decisões clínicas e gerenciais

Esses pilares sustentam a mudança cultural necessária.

Colaboração multidisciplinar

Além disso, a iniciativa foi orquestrada por várias mãos, com presença de enfermeiros, especialistas e médicos para avaliar a jornada do paciente dentro dos eixos:

  • Resultado clínico
  • Experiência do paciente
  • Eficiência do cuidado ao longo da assistência

Essa colaboração multidisciplinar é fundamental para o sucesso do modelo, garantindo que todas as perspectivas sejam consideradas. O caminho à frente, portanto, depende da adesão coletiva.

O futuro da gestão em saúde

A transição para o VBHC não é simples, mas se mostra como um caminho promissor para equilibrar os interesses entre operadoras e prestadores. Ao priorizar resultados que importam para o paciente, o modelo busca criar um sistema mais justo e eficiente.

A experiência de instituições pioneiras, como o A.C. Camargo, oferece valiosas lições para quem deseja seguir o mesmo rumo. O setor de saúde brasileiro parece estar em um momento de inflexão, com o potencial de redefinir suas bases.

Expansão do modelo VBHC

Com mais de uma centena de projetos em elaboração, conforme dados do Ibravs, a adoção do VBHC tende a crescer nos próximos anos. O desafio agora é expandir essas práticas para além dos centros de excelência, garantindo que os benefícios alcancem toda a população.

A busca por um cuidado de maior valor, afinal, é um objetivo que une todos os envolvidos na complexa rede da saúde.

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