Dólar fecha em queda com alívio geopolítico e incerteza externa
O dólar à vista (USDBRL) encerrou esta sexta-feira (6) cotado a R$ 5,2204, uma queda de 0,63% em relação ao fechamento anterior. Na semana, a moeda norte-americana acumulou recuo de 0,52% frente ao real.
Fatores externos que pressionaram a queda
Dois elementos principais explicaram o movimento de baixa:
- Alívio geopolítico: Conversas indiretas entre Estados Unidos e Irã, realizadas em Omã, reduziram as tensões que vinham escalando.
- Incerteza com Payroll: O mercado aguarda com cautela a divulgação do dado do mercado de trabalho americano (Payroll) na próxima semana, crucial para as expectativas sobre a política monetária dos EUA.
No exterior, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de moedas, caía 0,19%, aos 97,6330 pontos, às 17h (horário de Brasília).
Dados econômicos dos EUA surpreendem positivamente
O índice de sentimento do consumidor nos Estados Unidos, da Universidade de Michigan, apresentou leitura preliminar de 57,3% em fevereiro. O resultado superou as expectativas de analistas, que projetavam queda para 54,3%, e contribuiu para um ambiente externo menos volátil.
Revisão de projeções econômicas no Brasil
Enquanto isso, a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda divulgou ajustes em suas estimativas macroeconômicas.
Projeções de crescimento do PIB
- 2025: PIB revisado para 2,3% (ante 2,4% estimados em novembro).
- 2026: Previsão elevada de 2,2% para 2,3%.
Estimativas de inflação para 2026
A SPE revisou para cima sua projeção do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), estimando fechamento de 3,6% em 2026, contra 3,5% anteriormente.
Projeções de gastos sociais e Previdência
O relatório da secretaria também trouxe estimativas de longo prazo para despesas sociais, considerando a evolução demográfica do país.
Crescimento do Benefício de Prestação Continuada (BPC)
- 2025: R$ 127 bilhões
- 2035: R$ 300 bilhões (projeção)
De acordo com a SPE, os gastos com o BPC devem superar os do Bolsa Família já em 2028.
Despesas com Previdência Social
- 2025: R$ 1 trilhão
- 2035: R$ 3,4 trilhões (projeção)
Essas projeções reforçam os desafios fiscais que o país enfrentará na próxima década devido ao envelhecimento da população.
Declarações sobre coordenação de política econômica
O secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, destacou a importância da sintonia entre diferentes áreas da economia.
Harmonização entre políticas fiscal e monetária
Mello afirmou que a estabilização da dívida pública não será alcançada apenas pela gestão fiscal do governo. Ele ressaltou que a melhora depende também da política monetária implementada pelo Banco Central.
O secretário, que está em avaliação para possivelmente ocupar uma diretoria do BC, disse que a atuação coordenada gerou efeitos positivos na inflação em 2025. A fonte não detalhou quais efeitos específicos.
