A Raízen, uma das maiores empresas de energia do Brasil, negocia com seus acionistas controladores, Cosan e Shell, um plano de recuperação financeira. As reuniões desta semana avaliaram cenários que incluem desconto sobre a dívida em eventual reestruturação.
As conversas se arrastam há meses sem solução, enquanto a empresa enfrenta desafios significativos em seu balanço.
Endividamento da Raízen: R$ 53,4 bilhões em dívida líquida
A Raízen lida atualmente com R$ 53,4 bilhões em dívida líquida, segundo seu último balanço. Esse endividamento está distribuído entre:
- Detentores de títulos
- Fundos de crédito
- Maiores bancos de varejo do Brasil
A próxima divulgação de resultados está prevista para 12 de fevereiro. A situação tem pressionado o desempenho dos papéis da companhia no mercado de capitais.
Impacto nos investidores
Os títulos em dólar da empresa geraram perda de 18% aos investidores nos últimos seis meses. Já os papéis com vencimento em 2032 agora rendem 11%, refletindo maior risco percebido pelos credores.
Rebaixamento das notas de crédito para grau especulativo
As principais agências de classificação de risco revisaram suas avaliações sobre a saúde financeira da Raízen:
- S&P: rebaixou para BBB-, com perspectiva negativa
- Moody’s Ratings: cortou para grau especulativo (“junk”)
Essas decisões refletem preocupação com a capacidade da Raízen de honrar compromissos financeiros no longo prazo. O rebaixamento pode elevar o custo de captação de novos recursos.
Um porta-voz da Shell afirmou que a empresa reconhece os “desafios financeiros significativos” enfrentados pela Raízen. A declaração confirma a seriedade do momento vivido pela joint venture.
Negociações entre acionistas: Cosan e Shell
As negociações são complexas devido às limitações de ambos os controladores:
Posição da Shell
A Shell evita injetar capital adicional sozinha porque isso elevaria sua participação na Raízen para mais de 50%. Tal movimento alteraria a estrutura de controle atual, dividida de forma paritária com a Cosan.
Posição da Cosan
A Cosan tenta se reorganizar após a aquisição de ações da Vale, que gerou prejuízos. Essa situação limita sua capacidade de aporte individual.
Os recursos do aumento de capital com o BTG Pactual Holding não serão usados para capitalizar a Raízen. A informação descarta uma possível fonte de recursos considerada pelo mercado.
Alternativas em discussão para recuperação financeira
As partes avaliam duas principais alternativas:
- Aporte de capital conjunto pelos controladores
- Desconto sobre a dívida (“haircut”)
O desconto representaria perda para os credores, mas poderia aliviar o fardo financeiro no curto prazo. Um empréstimo entre empresas do grupo foi considerado, mas a ideia foi abandonada por razões técnicas não detalhadas.
A combinação de desconto nas obrigações com injeção de recursos pelos sócios aparece como caminho possível. As negociações são delicadas e envolvem múltiplos interesses, incluindo bancos e fundos de investimento.
Próximos passos e impacto no mercado
Com a divulgação de resultados marcada para fevereiro, a pressão por definição do plano de recuperação aumenta. O mercado aguarda sinais concretos de como a Raízen pretende enfrentar seu endividamento.
A solução, quando anunciada, deverá impactar:
- Acionistas da Raízen
- Credores e investidores
- Setor de energia no Brasil
A capacidade de Cosan e Shell de chegarem a acordo será crucial para o futuro da empresa. Os credores acompanham as tratativas com atenção, avaliando possíveis impactos em seus investimentos.