Receita prevê arrecadar R$ 200 bi com cobrança amigável
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A Receita Federal estima arrecadar R$ 200 bilhões este ano com a aposta em um modelo de “cobrança amigável”, segundo informações do órgão.

A estratégia, que prioriza o diálogo e a orientação, representa uma mudança definitiva na atuação do Fisco, conforme declarou o secretário especial Robinson Barreirinhas.

O objetivo é ampliar a arrecadação sem recorrer a disputas judiciais prolongadas, focando em um tratamento diferenciado conforme o perfil do contribuinte.

Uma mudança de paradigma no Fisco

Robinson Barreirinhas afirmou que a iniciativa marca uma mudança definitiva na atuação do órgão. Ele destacou que o ano de 2026 será um período de transformação na postura da Receita Federal.

A mudança envolve deixar completamente a postura antiquada de um Fisco reativo e repressor para uma Receita que antecipa problemas, orienta os contribuintes e evita o litígio.

Em outras palavras, o foco passa a ser na prevenção e no diálogo, em vez de apenas na repressão. Essa transição é vista como crucial para modernizar a relação entre o Estado e os contribuintes.

Como funciona a cobrança amigável

Autorregularização para inadimplentes ocasionais

A estratégia é baseada na autorregularização de inadimplentes ocasionais e no endurecimento a devedores contumazes. A cobrança amigável vem depois da inadimplência inicial, mas antes do litígio, interrompendo esse processo.

Dessa forma, o contribuinte que comete um atraso pontual tem a chance de regularizar sua situação sem enfrentar ações judiciais imediatas.

Rigor para devedores contumazes

Por outro lado, o rigor está concentrado nos devedores contumazes, que usam a inadimplência como estratégia de negócio. A abordagem busca equilibrar flexibilidade com firmeza, conforme a necessidade.

Resultados e base legal da estratégia

A estratégia levou o Fisco a um recorde histórico de arrecadação em 2025, demonstrando sua eficácia inicial.

A cobrança amigável foi anteriormente definida como uma diretriz pela Receita e, mais recentemente, incorporada à Lei Complementar 225, sancionada no início do mês.

Essa lei deve ampliar punições e coibir práticas recorrentes de sonegação, dando suporte legal à nova postura. Com isso, o órgão ganha ferramentas mais sólidas para implementar sua política de forma consistente.

A fonte não detalhou os mecanismos específicos de aplicação da lei.

Foco nos devedores contumazes

A Receita pretende endurecer a fiscalização dos contribuintes que usam a inadimplência como estratégia de negócio. Segundo o Fisco, poucas empresas se enquadram na categoria de maus pagadores, mas devem bilhões ao governo.

O órgão classificou como devedores contumazes:

  • 15 empresas inativas, com R$ 23,1 bilhões em débitos
  • 7 empresas irregulares, com R$ 15 bilhões
  • 13 empresas regulares, com R$ 4,6 bilhões

Esses números mostram que, embora o grupo seja reduzido, os valores envolvidos são significativos.

O Fisco pretende enfrentar o setor de cigarros, que concentra os devedores contumazes, indicando um alvo específico para ações mais duras.

Perspectivas para o futuro

Com a nova lei em vigor, a Receita Federal espera consolidar sua abordagem de cobrança amigável como padrão. A meta de arrecadar R$ 200 bilhões este ano reflete a confiança no modelo, que combina orientação e rigor.

Além disso, a mudança de postura visa reduzir a judicialização de conflitos tributários, economizando tempo e recursos públicos.

Embora os resultados de 2025 tenham sido positivos, o desafio agora é manter essa trajetória em 2026. A implementação completa da estratégia dependerá de como o órgão equilibrará diálogo e fiscalização no dia a dia.

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