Itaú vê pausa nos cortes do Fed até definição de presidente
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O banco Itaú projeta que o Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, deve adiar novos cortes na taxa básica de juros até que seja definido quem assumirá a presidência da instituição.

A expectativa é de que os cortes ocorram apenas no segundo semestre de 2025, em um cenário de economia resiliente, mas com inflação ainda acima da meta estabelecida.

A análise do banco considera a dinâmica do crescimento, do mercado de trabalho e dos preços, além da possível mudança na liderança da política monetária norte-americana.

Economia dos EUA: resiliência com desaceleração temporária

Nos Estados Unidos, a atividade segue resiliente, mesmo diante de desafios recentes. O mercado de trabalho mostra sinais de estabilização, indicando uma base sólida para os consumidores.

No entanto, a inflação permanece estável, mas acima da meta, o que tem sido um ponto de atenção constante para os formuladores de política econômica.

Impacto no PIB e projeções futuras

A expectativa do banco é de uma desaceleração temporária do Produto Interno Bruto (PIB) no quarto trimestre. Essa desaceleração tem efeitos da paralisação do governo norte-americano, que impactou temporariamente a atividade.

Os números refletem essa mudança:

  • PIB passou de 3% no terceiro trimestre para 1% nos quatro últimos meses do ano.
  • Marcou uma redução no ritmo de crescimento.

Para o futuro, a projeção é de uma estabilização do PIB em 2% em 2026, sugerindo um patamar de crescimento mais moderado e sustentável a médio prazo.

Mercado de trabalho em patamar moderado

No mercado de trabalho, a leitura é de acomodação em patamar moderado, com indicadores que não apontam para aquecimento excessivo.

O conjunto de indicadores de emprego mostra sinais de estabilização em níveis moderados, o que pode aliviar pressões inflacionárias vindas dos salários.

Dados do payroll privado

Um dado que ilustra essa tendência é a criação de vagas no payroll privado, que está em 75 mil na média móvel de três meses.

Esse ritmo de contratações, embora positivo, não é considerado acelerado, o que contribui para um cenário de equilíbrio.

Inflação permanece como desafio central

A inflação permanece elevada e sem muitos sinais de desaceleração, representando o principal obstáculo para cortes mais agressivos na taxa de juros.

No entanto, há leituras recentes da inflação um pouco melhores, o que pode indicar um alívio gradual.

Núcleos da inflação e efeito das tarifas

Os núcleos da inflação, que excluem itens mais voláteis, têm rodado no ritmo de 0,2% na variação mensal, um patamar que ainda preocupa as autoridades.

Outro fator observado é o efeito das tarifas, que até o momento é modesto, sem causar impactos significativos nos preços ao consumidor.

Projeções para a política monetária do Fed

Para a política monetária, o banco projeta dois cortes de juros no segundo semestre de 2025, em um movimento considerado gradual.

Esses cortes de juros levariam a taxa para o intervalo de 3% a 3,25%, reduzindo o custo do crédito na maior economia do mundo.

Impacto no crescimento econômico

A decisão de adiar os cortes está ligada à espera por mais clareza sobre a trajetória inflacionária e sobre a liderança do banco central.

Possíveis cortes adicionais, se realizados, levariam a um maior crescimento nos próximos anos — de 2,0% para 2,2%, de acordo com as projeções.

Mudança na liderança do Fed

Um fator crucial nesse cenário é a definição do novo presidente do Fed. Segundo Mesquita, do Itaú, o novo presidente deve ser mais tolerante com a inflação, possivelmente aceitando patamares um pouco mais altos em prol do crescimento.

Além disso, acredita-se que o novo líder deve ser mais sensível às pressões por juros mais baixos, que vêm de setores como o mercado imobiliário e o crédito ao consumidor.

Divisão na diretoria do banco central

Mesquita observa ainda que a diretoria do banco central deve permanecer dividida, refletindo visões diferentes sobre o ritmo adequado para a normalização da política monetária.

Essa divisão pode tornar as decisões mais complexas e dependentes da habilidade do novo presidente em construir consensos.

Conclusão: estratégia cautelosa do Fed

Diante desse quadro, a pausa nos cortes de juros até a definição do novo comando do Fed parece uma estratégia cautelosa, alinhada com a necessidade de observar a evolução dos dados econômicos.

O cenário projetado pelo Itaú sugere um caminho gradual para a normalização monetária, com a inflação ainda ditando o ritmo das decisões.

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