Lula 4 ou Dilma 3? Gestor alerta para riscos econômicos
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O gestor Rogério Xavier, da SPX Capital, levantou um questionamento que ecoa nos bastidores do mercado financeiro: o Brasil estaria diante de um ‘Lula 4’ ou, gradualmente, de uma espécie de ‘Dilma 3’? A provocação foi feita em publicação no Substack, plataforma voltada para publicações de conteúdos, e busca analisar os rumos da política econômica do atual governo.

Xavier esclarece, logo de cara, que a comparação não procura afirmar que a história de uma década atrás vai se repetir ou comparar as personalidades dos políticos. Segundo ele, a busca é por compreender como as questões diante do governo serão endereçadas. O principal ponto, segundo ele, não é o que o governante gostaria de fazer em condições ideais, mas sim o que seus incentivos o levam a fazer nas condições que enfrenta.

Incentivos moldam decisões econômicas

Para o gestor, a análise deve focar nos incentivos concretos que o governo enfrenta, e não em intenções abstratas. Ele lembra que, no início dos anos 2000, o Brasil colheu resultados positivos de uma política econômica ortodoxa. Entre eles, o gestor cita os superávits primários relevantes. A balança comercial, que havia registrado superávit de aproximadamente US$ 2,7 bilhões em 2001, saltara para cerca de US$ 13 bilhões em 2002. Em 2003, o saldo comercial chegaria a quase US$ 25 bilhões.

Ele destaca a importância das decisões econômicas daquele período, mas defende que seria um erro ainda maior imaginar que as mesmas decisões, tomadas em condições muito diferentes, produziriam necessariamente resultados semelhantes. O contexto atual impõe desafios distintos, que exigem respostas adaptadas à realidade presente.

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Restrições atuais limitam instrumentos tradicionais

O quarto mandato de Lula se encontra diante de uma sociedade dividida, um Congresso em que precisará construir maiorias, compromissos de campanha e a obrigação política de entregar crescimento. Para o gestor, a dificuldade se encontra na limitação dos instrumentos tradicionais. A política monetária permanece restritiva porque a inflação e suas expectativas exigem cautela. Bancos e consumidores convivem com os efeitos acumulados de juros elevados.

Uma desaceleração mais forte da atividade reduziria a arrecadação em um momento em que as despesas obrigatórias continuam pressionando o orçamento. Esse cenário estreita a margem de manobra do governo, que precisa equilibrar demandas sociais e responsabilidade fiscal sem dispor de folga orçamentária.

Dominância fiscal e perda de liberdade

Sobre a dominância fiscal, Xavier pondera que, quando a trajetória da dívida preocupa, o investidor marginal começa a exigir mais remuneração. O Tesouro continua conseguindo se financiar, contudo, acaba perdendo a liberdade de escolher as condições envolvidas no financiamento. Isso significa que o custo da dívida pode subir, pressionando ainda mais as contas públicas.

Para ele, o perigo maior não é necessariamente um calote nominal, mas a possibilidade de o Estado, pressionado pelo custo da dívida e pela fraqueza econômica, passar a tolerar inflação mais elevada. A inflação, nesse caso, funcionaria como um mecanismo perverso de redução do valor real da dívida, mas com graves consequências para a população.

O que seria a ‘Dilma 3’?

“O que chamo, como provocação, de ‘Dilma 3’ seria uma possível resposta política a essas restrições: a busca gradual por instrumentos de estímulo que adiam ou deslocam custos. A dominância fiscal seria a deterioração econômica que torna tais instrumentos progressivamente menos eficazes”, diz Xavier. Em outras palavras, o governo poderia recorrer a medidas que geram alívio no curto prazo, mas acumulam problemas para o futuro.

Além disso, o Congresso pode impor limites à expansão de despesas ou apoiar reformas, enquanto a administração pode escolher preservar capital nos bancos públicos, em vez de ampliar riscos. Para Xavier, possibilidades como essas precisam permanecer abertas. O desfecho não está predeterminado, e o cenário pode evoluir de maneiras distintas dependendo das escolhas políticas.

Evitar certezas históricas

O gestor alerta contra a tentação de traçar paralelos automáticos com o passado. “O erro seria tratar a semelhança histórica como certeza, assim como seria um erro ignorar os incentivos atuais simplesmente porque ainda não observamos o desfecho”, diz. A análise de Xavier convida a uma leitura cuidadosa dos sinais econômicos, sem cair em determinismos.

Em suma, a publicação de Rogério Xavier serve como um alerta para investidores e formuladores de políticas. O caminho entre um ‘Lula 4’ e uma ‘Dilma 3’ é estreito, e as decisões tomadas agora definirão qual cenário prevalecerá. A fonte não detalhou projeções numéricas, mas o recado é claro: os incentivos importam, e a história não se repete, mas rima.

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